segunda-feira, junho 06, 2011

EICEL. Programa de Acção 2011 - 2014 (parte 8)

(continuação do nº1180, de 20 de Maio de 2011, pág 7)

1.2.2 - Instalação de um Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro do Concelho de Rio Maior

Vale mais um projecto parcial em desenvolvimento, que vários integrais, eternamente à espera de melhor oportunidade” (29).

A definição de novos usos para a fábrica de briquetes da Mina do Espadanal, independentemente da variabilidade de funções passíveis de instalação, deverá ter como requisito, na sequência dos princípios enunciados no capítulo 1.2.1, a consignação de espaços destinados a uma vertente cultural de interpretação do contexto histórico que lhe deu origem, de compreensão do contexto patrimonial mais vasto no qual se insere, e de explicação técnica do sistema edificado em presença.

Num quadro de indisponibilidade económica para o restauro integral, parece evidente que o primeiro esforço de uma intervenção conducente à preservação e valorização do património deverá centrar-se na criação de condições para a sua devolução à vivência da comunidade. Essa vivência exige, no entanto, uma mediação, como indica Paulo Pereira (2001), “apoiada em sistemas explicativos que nos subtraiam do desconhecimento” (30) e nos permitam perceber a razão de ser daquele objecto “que ali esperou por nós” (31).

A interpretação será assim “o primeiro passo para reintegrar, sem perda de “aura”, sem alienação do objecto, o monumento ou o sítio na nossa ordem contemporânea” (32), conferindo-lhe um grau essencial de “utilidade e de interacção” (33) com os visitantes.

Na procura de condições de acolhimento dos públicos potenciais do património mineiro de Rio Maior adoptamos um conceito de Centro de Interpretação, tal como entendido pelo antigo IPPAR: a instalação de uma estrutura que “explica, procede a uma interpretação, mas também regula e disciplina os fluxos de visita, associando-se-lhe uma componente científica uma vez que estes centros se encontram dotados de gabinetes de trabalho, de centro de documentação e de reservas” (34).

O Centro de Interpretação constituirá o apoio material necessário ao estabelecimento do “espaço cultural da mina” (35), tal como definido por Jorge Custódio (2005), em cuja abrangência se inserem “a investigação, a conservação e restauro dos bens técnicos, a gestão dos arquivos mineiros, reservas museológicas e da memória oral, a musealização e fruição dos espaços, turismo cultural, museus e bens móveis” (36).

1.2.2.1 – Missão e eixos de actuação:

A missão do Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro do Concelho de Rio Maior, fundada num princípio essencial de “preservação da memória e do património mineiro móvel e construído, propiciando o conhecimento dos recursos geológicos, dos métodos e técnicas utilizados na sua prospecção e extracção e favorecendo o conhecimento da história local, social e económica” (37), deverá ser assumida em três planos: Regional, Nacional e Internacional.

Plano Regional: defende-se o desenvolvimento de uma intervenção com particular incidência sobre a população escolar da região, procurando resultados no aumento de níveis de qualificação cultural e profissional, bem como na abertura de possibilidades de identificação das novas gerações com o percurso histórico da comunidade riomaiorense e de participação nos seus actuais processos de evolução.

Valência até agora inexistente no concelho de Rio Maior, a estrutura que propomos deverá assumir-se enquanto espaço por excelência para o estudo da história e do património local, disponibilizando, em estreita articulação com os agrupamentos escolares da região, os instrumentos necessários ao desenvolvimento de projectos educativos de nível básico e secundário nestas áreas de conhecimento.

Plano Nacional: surge em evidência o potencial de desenvolvimento de projectos de Investigação especializados nas diferentes vertentes de estudo associadas à indústria mineira. Propõe-se o estabelecimento de parcerias com Instituições de Ensino Superior, Entidades Governamentais e a Secção de Minas da Associação Portuguesa de Património Industrial (GEOMIN), para a criação de programas de estágio, formação e investigação, nas áreas de inventário, conservação e restauro de património mineiro.

Com base nos programas a criar, deverão estabelecer-se as condições para o estudo, conservação e divulgação do fundo documental e de património móvel do Couto Mineiro do Espadanal e preparar-se o lançamento de um inventário global do património da indústria extractiva dos carvões em Portugal, contribuindo para o desenvolvimento de redes nacionais dedicadas ao património mineiro.

Plano Internacional: o resultado dos projectos de Investigação a promover deverá permitir, no âmbito de parceria a estabelecer com a Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM), o desenvolvimento de um espaço ibérico de debate de conceitos e experiências através da criação de um evento científico anual, a promover nas redes europeias de património mineiro e industrial.

Notas:

(29) BARROQUEIRO, Mário – O declínio de centros mineiros tradicionais no contexto de uma geografia industrial em mudança. Dissertação de Mestrado em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sob a orientação do Prof. Dr. Mário Vale, Lisboa, 2005. Exemplar policopiado, pág. 174.

(30) PEREIRA, Paulo – “Lugares de passagem e o resgate do tempo”. In Estudos/ Património, n.º 1. Lisboa: IPPAR, 2001, pág.7.

(31) Idem, ibidem, pág.7.

(32) Idem, ibidem, pág.7.

(33) Idem, ibidem, pág.7.

(34) Idem, ibidem, pág.14.

(35) CUSTÓDIO, Jorge – “Património Mineiro”. In Estudos/ Património, nº8. Lisboa: IPPAR, 2005, pág. 151.

(36) Idem, ibidem, págs.151-152.

(37) BRANDÃO, José M. – “Património Mineiro Português: um filão a explorar”. In Actas do Seminário Arqueologia e Museologia Mineiras. Lisboa: Museu do Instituto Geológico e Mineiro, 1998, pág. 7.

Continua no próximo número do Região de Rio Maior

In Região de Rio Maior nº1181, de 27 de Maio de 2011

sexta-feira, maio 27, 2011

EICEL. Programa de Acção 2011 - 2014 (Parte 7)

(continuação do nº1179, de 13 de Maio de 2011, pág 7)

A reutilização do património industrial foi, na última década, reconhecida pelo Comité Internacional para a Conservação do Património Industrial (TICCIH), através da Carta de Nizhny Tagil (2003) (25), como forma aceitável de assegurar a sua conservação. Nesse documento podemos reconhecer as bases nas quais assentam os princípios orientadores da proposta de restauro da fábrica de briquetes que formulamos no presente estudo:

1 – Conhecimento aprofundado da História da unidade industrial a intervencionar.
A história, numa perspectiva multidisciplinar, deve ser o elemento essencial no debate da conservação arquitectónica (26). Para evitar uma demasiado frequente destruição de elementos fundamentais para a compreensão histórica dos edifícios, baseada em razões funcionais decorrentes dos programas a instalar, a opção sobre uma nova função e a sua materialização arquitectónica devem ser subordinadas aos valores históricos em presença.
Esta exigência de um conhecimento da História aplica-se a toda a profundidade da intervenção, desde a compreensão da íntima relação entre a lógica volumétrica do edificado e a sua antiga função, à compreensão do estado da arte à época da construção, na escolha e aplicação de linguagens estéticas, de materiais e de sistemas construtivos. A nova intervenção deve compreender o valor do património industrial enquanto documento da história da arquitectura e da técnica.

2 – Preservação do esquema produtivo original.
Um edifício industrial é em si mesmo uma grande máquina, materializando nas suas volumetrias um diagrama funcional de produção. A truncagem deste sistema integrado, por muito que algum dos elementos construídos possa por si só parecer irrelevante na sua qualidade arquitectónica, torna incompreensível o conjunto.
Os novos programas a instalar devem assim ser compatíveis com a anterior função do edifício, preservando “os esquemas originais de circulação e de produção” (27) e respeitando os materiais utilizados. Recomenda-se que a adaptação evoque a antiga actividade industrial.

3 – Reversibilidade e impacto mínimo da intervenção.
A nova intervenção arquitectónica deve garantir as exigências funcionais dos programas de utilização, mediante uma “sábia adaptação das obras existentes” (28), desenhando e colocando os novos elementos técnicos estritamente necessários, sob um princípio de agressão mínima à estrutura original e fácil reposição do edifício nas condições iniciais. A qualidade arquitectónica
da intervenção estará assim na sua capacidade de servir a estrutura existente, anulando tanto quanto possível a presença material de tudo o que não lhe pertence.

A execução de um registo exaustivo de alterações que não possam ser evitadas é, neste contexto, indispensável, devendo promover-se, sempre que possível, e o seu estado de conservação assim o permita, a recolha e armazenamento dos elementos removidos em condições de uma hipotética futura reintegração.












































Secção de briquetagem da antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal. Estado de conservação actual e estado de conservação original, que se pretende recuperar.

Notas:

(25) Carta de Nizhni Tagil sobre o Património Industrial, traduzida pela APPI. Disponível na Internet via: http://www.mnactec.cat/ticcih/pdf/NTagilPortuguese.pdf

(26) CAPEL, Horácio – “La rehabilitación y el uso del património histórico industrial”. In Documents d’Anàlisis Geográfica nº29. Barcelona, 1996, pág.49.

(27) Carta de Nizhni Tagil sobre o Património Industrial, traduzida pela APPI. Disponível na Internet via: http://www.mnactec.cat/ticcih/pdf/NTagilPortuguese.pdf

(28) CAPEL, Horácio – “La rehabilitación y el uso del património histórico industrial”. In Documents d’Anàlisis Geográfica nº29. Barcelona, 1996, pág.50.

Continua no próximo número do Região de Rio Maior

In Região de Rio Maior nº1180, de 20 de Maio de 2011

Reprodução do cartaz da III Jornada do Património Mineiro do Concelho de Rio Maior






















In Região de Rio Maior nº1180, de 20 de Maio de 2011


segunda-feira, maio 23, 2011

EICEL. Programa de Acção 2011 - 2014 (Parte 6)

(continuação do n.º1178, de 6 de Maio de 2011, pág 7)

1.2 – PROPOSTA DE RECUPERAÇÃO FASEADA E REUTILIZAÇÂO DA FÁBRICA DE BRIQUETES DA MINA DO ESPADANAL

1.2.1 – Enquadramento conceptual

A reutilização do património edificado não é uma prática recente. São muitos os exemplos de edifícios do passado que chegaram a nós em virtude da potencialidade demonstrada ao longo de séculos para a adaptação a novos usos, por vezes profundamente distintos da função original para a qual foram concebidos. Em Portugal encontramos um exemplo paradigmático de reutilização de edificado no Século XIX, com a extinção das ordens religiosas e a nacionalização dos seus bens, promulgada a 30 de Maio de 1834. A sorte do extenso património edificado que então passa ao domínio do Estado foi diversa, desde a venda a privados à afectação a funções públicas. Neste domínio registamos a conversão de muitos dos antigos conventos em quartéis militares ou hospitais, que se mantiveram em funções até à actualidade.

No concelho de Rio Maior encontramos um dos exemplos da extensa lista de imóveis nacionalizados: um antigo hospício de frades franciscanos arrábidos, com uma fábrica de buréis, que, com a criação do Município em 1836 (apenas dois anos após o decreto de extinção das ordens) passará a albergar os Paços do Concelho.

A conservação e reutilização de edifícios industriais é um fenómeno mais recente, que se afirma na segunda metade do Século XX, e adquire particular oportunidade desde a década de setenta no seio de um processo global de reestruturação industrial marcado pela deslocalização de empresas dos países industrializados para áreas em vias de desenvolvimento. Acompanhando transformações económicas e sociais que produziram o crescimento, neste período, de novas indústrias de serviços e da produção de Conhecimento, são diversos os exemplos bem sucedidos, nos últimos vinte anos, de novos usos instalados em antigas unidades industriais devolutas, integradas no espaço urbano, de entre os quais destacamos as reutilizações culturais e de lazer e a instalação de espaços de trabalho intelectual e criativo.

No entanto, nem sempre a reutilização tem correspondido a uma efectiva conservação dos valores históricos e arquitectónicos presentes nas antigas unidades industriais. A prática corrente revelou uma tendência para a destruição quase completa dos edifícios e manutenção restrita de elementos simbólicos com os quais se pretende preservar a memória e valorizar os novos empreendimentos. A complexidade de projecto e o aumento de custos decorrente da procura de estratégias de adaptação de espaços a novas funções, preservando a sua matriz genética, motiva promotores e técnicos à produção de soluções simplificadoras do problema, optando geralmente por uma abordagem fachadista, reveladora de um entendimento epidérmico da arquitectura.

A mais emblemática destas abordagens, que encontramos um pouco por todo o país, consiste na preservação de um elemento simbólico único: a chaminé. Horácio Capel registava, já em 1995, esta “curiosa fixação pela chaminé” (22), interrogando se os seus defensores seriam motivados “pelo reduzido espaço que ocupa, pela sua associação com a actividade industrial ou pelo seu espectacular carácter fálico” (23). José Manuel Cordeiro caracterizou este tipo de propostas, durante a I Jornada do Património Mineiro do Concelho de Rio Maior, em 2008, como “a tradução de um sentimento de má consciência, que procura compensar o acto de destruição do património” (24).























Fábrica Van Nelle, Roterdão, Holanda. Exemplo de recuperação integral e reutilização de antigo complexo industrial, edificado entre 1925 e 1931. Intervenção de restauro concebida pelo atelier Wessel de Jonge architecten e galardoada com o Prémio da União Europeia para o Património Cultural, Europa Nostra, de 2008 (Fotografia: Nuno Rocha, 2001)


Notas:

(22) CAPEL, Horácio – “La rehabilitación y el uso del património histórico industrial”. In Documents d’Anàlisis Geográfica nº29. Barcelona, 1996, pág.28.

(23) Idem, ibidem, pág.28.

(24) “I Jornada do Património Mineiro. Comunicações (parte 13)”. In Região de Rio Maior nº 1035. Rio Maior, 8 de Agosto de 2008.

Continua no próximo número do Região de Rio Maior

In Região de Rio Maior nº1179, de 13 de Maio de 2011

NUNO ALEXANDRE ROCHA APRESENTOU NA UNIVERSIDADE DE LISBOA TESE DE MESTRADO SOBRE AS MINAS DO ESPADANAL



























Nuno Rocha em prova académica anterior (foto de arquivo).

No passado dia 3 de Maio, Nuno Alexandre Rocha, Presidente da EICEL – Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, apresentou a defesa pública da dissertação de mestrado “Couto Mineiro do Espadanal (Rio Maior). História, Património, Identidade” ao Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O Júri foi Presidido pelo Doutor Vítor Manuel Guimarães Veríssimo Serrão, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), e integrou mais três docentes: como Arguente, a Doutora Deolinda Maria da Ressurreição Folgado, Doutorada em História da Arte, Técnica Superior do IGESPAR, departamento de Inventário, Estudos e Divulgação e docente do Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; o Orientador da tese, Doutor Fernando Jorge Artur Grilo, Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; e o Doutor Luís Urbano de Oliveira Afonso, Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este trabalho académico foi classificado por unanimidade com dezoito valores, tendo sido realçado, que, para além da sua elevada qualidade científica, constitui um contributo cívico da maior importância para a defesa e requalificação do património mineiro de Rio Maior.

O Professor Doutor Vítor Serrão, Coordenador do Instituto de História da Arte da FLUL, fez questão de mencionar, que das cerca de 90 dissertações inscritas no âmbito do Mestrado em Arte, Património e Restauro, iniciado em 1996, esta tese foi a primeira a versar a temática do Património Industrial e Mineiro; o que segundo a Arguente, se reveste de um especial significado, uma vez que o nosso país possui um vasto património mineiro ainda muito pouco valorizado, nomeando o exemplo de apenas dois complexos mineiros estarem classificados como Imóveis ou Monumentos de Interesse Público, respectivamente, o Parque Mineiro de Tresminas em Vila Pouca de Aguiar, e o Cavalete do Poço de São Vicente, nas minas de S. Pedro da Cova.

Nuno Alexandre Rocha na sua argumentação destacou “que este trabalho não é documento encerrado, mas um esforço de fixação de um discurso histórico assente em documentação inédita, abrindo perspectivas ao aprofundamento de futuras investigações em diferentes campos disciplinares, e de análise do património subsistente, produzindo propostas para a sua salvaguarda e reutilização”, cuja concretização se deseja que decorra em estreita cooperação com a Edilidade Riomaiorense, proprietária deste património, e com o apoio das parcerias científicas e das associações de defesa do património já envolvidas neste processo.

Como refere uma investigadora desta área, Kate Clark, citada por José Amado Mendes, “o valor do património constitui uma fonte de aprendizagem, é um recurso social que envolve pessoas, é algo que contribui para o desenvolvimento da economia e faz a ligação ao desenvolvimento sustentável e não interessa apenas aos especialistas”. Daí a importância do património mineiro riomaiorense que o Mestre em Arte, Património e Teoria do Restauro, Nuno Alexandre Rocha materializou neste seu trabalho.

António José Vieira de Carvalho, Médico, Vice-presidente da EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico.

In Região de Rio Maior nº1179, de 13 de Maio de 2011

terça-feira, maio 17, 2011

CONVITE - III Jornada do Património Mineiro

III JORNADA DO PATRIMÓNIO MINEIRO DO CONCELHO DE RIO MAIOR. PATRIMÓNIO E COMUNIDADE. A ESCOLA E AS REDES DE CONHECIMENTO.





















Figura 1 – Maqueta da antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal, à escala 1:100, executada pelas alunas do 12º ano da Escola Secundária de Rio Maior, Daniela Monteiro, Daniela Santos, Joana Costa e Susana Gonçalves, sob coordenação do arquitecto Nuno Alexandre Rocha.


A EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico organizará no próximo dia 21 de Maio (sábado), na Biblioteca Municipal, a III Jornada do Património Mineiro do Concelho de Rio Maior.
A sessão, subordinada ao tema “Património e Comunidade. A Escola e as Redes de Conhecimento”, surge no âmbito de colaboração estabelecida com a Escola Secundária de Rio Maior, materializada no acompanhamento a projectos de alunas do 12º ano dedicados ao património do antigo Couto Mineiro do Espadanal e desenvolvidos nas disciplinas da Área de Projecto leccionadas pelos professores Paulo Sá e Rosa Batista.
Sublinha-se a importância do envolvimento da comunidade educativa na valorização do património local e a oportunidade de inserção das iniciativas em desenvolvimento nas dinâmicas de uma rede nacional de espaços mineiros.
A Jornada terá o seguinte programa:

III Jornada do Património Mineiro do Concelho de Rio Maior.

15h00 – Sessão de abertura:
- Professor Albino Correia, Director da Escola Secundária de Rio Maior.
- Professor Paulo Dias de Sá, Coordenador da Área de Projecto.
- Arquitecto Nuno Alexandre Rocha, Presidente da Direcção da EICEL.
15h20 – Sessão temática:
- Comunicação: Nuno Alexandre Rocha, “Couto Mineiro do Espadanal (Rio Maior). História, Património, Identidade”.
- Comunicação: J. Bernardo de Lemos, “Apresentação do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal”.
16h20 – Inauguração de exposição dos trabalhos realizados pelos grupos de alunas da Área de Projecto da Escola Secundária de Rio Maior.

A EICEL convida todos os riomaiorenses a marcarem presença nesta iniciativa de valorização do património mineiro do concelho de Rio Maior.



















Figura 2 – Fotografia da antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal, incluída em levantamento fotográfico do património mineiro realizado pelas alunas do 12º ano da Escola Secundária de Rio Maior, Andreia Dias, Bárbara Silva, Maria Chambel, Patrícia Vieira e Tânia Barbosa.


In Região de Rio Maior nº1179, de 13 de Maio de 2011

sábado, maio 14, 2011

PATRIMÓNIO DOCUMENTAL DA ANTIGA MINA DO ESPADANAL. EICEL ASSINA PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO COM MARIA MARGARIDA BORGES VIDIGAL PAIS

Arnaldo Vidigal Pais (1899-1961), médico, natural de Vila Nova da Erra, concelho de Coruche, fixou residência e actividade profissional em Rio Maior no início da década de trinta do Século XX.

Homem de marcada participação cívica foi um dos fundadores, a 4 de Fevereiro de 1932, do Grémio Riomaiorense (actual Clube Riomaiorense). No final da II Guerra Mundial representou a Embaixada dos Estados Unidos da América em almoço comemorativo da Paz, realizado a 21 de Maio de 1945 na antiga Moagem Maria Celeste, em Rio Maior. Enquanto convicto opositor do Estado Novo integrou a Comissão Concelhia de Rio Maior do Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.).

Nomeado médico examinador da Companhia de Seguros “A Nacional” a 14 de Maio de 1934, o Dr. Vidigal Pais exerceu essa função junto da Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, Limitada, concessionária do Couto Mineiro do Espadanal, assegurando durante 27 anos os exames clínicos dos funcionários das minas de Rio Maior, até ao seu falecimento a 25 de Agosto de 1961.

A EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, prosseguindo um objectivo de promoção de estreita cooperação com a comunidade riomaiorense, assinou no passado dia 25 de Abril um protocolo de colaboração com Maria Margarida Borges Vidigal Pais tendo em vista a conservação e exposição ao público de espólio documental relativo à actividade da antiga Mina do Espadanal.

Foram doadas por Margarida Vidigal Pais uma fotografia de seu pai datada da década de trinta, a Carta de Nomeação do Dr. Arnaldo Vidigal Pais enquanto médico examinador da Companhia de Seguros “A Nacional” e quatro títulos de empréstimo do Grémio Riomaiorense. O espólio doado integrará futuro Centro de Documentação a criar pela EICEL e será disponibilizado aos investigadores interessados pelo estudo da história e do património do concelho de Rio Maior.

In Região de Rio Maior nº1178, de 6 de Maio de 2011

sexta-feira, maio 13, 2011

EICEL. Programa de Acção 2011 - 2014 (Parte 5)

(continuação do n.º1177, de 29 de Abril de 2011, pág 7)

1.1.2 - Estabelecimento de parcerias nacionais e internacionais para a promoção do património mineiro riomaiorense.

Um factor decisivo para a sustentabilidade de um empreendimento de reutilização científica, cultural e turística de património mineiro e industrial reside na sua capacidade de afirmação enquanto protagonista de uma rede global de organismos e projectos vocacionados para esta área específica da salvaguarda e valorização patrimonial.

No plano nacional não foi ainda possível implementar uma rede de Centros Mineiros. Destaca-se, no entanto, a recente iniciativa conjunta da Direcção Geral de Energia e Geologia, da Empresa de Desenvolvimento Mineiro SA e do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, esboçando o primeiro Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal (19). O Roteiro integra presentemente 21 sítios, de entre os quais registamos apenas uma representação da indústria mineira de carvões: a Casa da Malta/ Museu Mineiro, da Mina de S. Pedro da Cova, em Gondomar.

Num plano internacional surge como oportunidade a integração do futuro Parque Geomineiro do Espadanal na Rota Europeia de Património Industrial (ERIH) (20), rede de informação turística sobre o património industrial europeu. A ERIH é constituída actualmente por mais de 850 sítios distribuídos por 32 países e organizados numa rota de “pontos âncora”, rotas temáticas e rotas regionais.

Dos actuais 72 “pontos âncora”, 12 são sítios mineiros, metade dos quais minas de carvão, com natural destaque para a Mina de Carvão Zollverein, em Essen, Alemanha, classificada como Património da Humanidade.

As rotas temáticas organizam-se num número de dez: Têxteis; Minas; Ferro e Aço; Manufacturas; Energia; Transportes e Comunicações; Água; Habitação e Arquitectura; Indústria de Serviços e Lazer; Paisagens Industriais. A rota temática dedicada à indústria mineira conta presentemente com 165 sítios registados. As rotas regionais encontram-se ainda apenas organizadas em seis países (Bélgica, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda e Polónia). Portugal está representado por 23 sítios industriais, entre os quais o Parque Mineiro da Cova de Mouros, em Alcoutim, as minas de tungsténio do Fundão e o Museu do Ferro da Região de Moncorvo, não inscrevendo ainda, no entanto, qualquer sítio na rota de “pontos âncora”.

No contexto específico do património mineiro, a Rede Europeia de Património Mineiro (Europamines), criada no âmbito do Programa Cultura 2000, da União Europeia, vem constituindo um espaço significativo de debate, contando, no plano nacional, com a participação da Câmara Municipal do Fundão como membro fundador. Destacamos, entre os objectivos da Europamines, o desenvolvimento de um código de boas práticas para a sustentabilidade de projectos de conservação e interpretação do património mineiro na Europa, a criação de estratégias modelares para o desenvolvimento sustentável, o fornecimento de consultoria entre especialistas no seio das organizações associadas e a defesa, num plano Europeu, dos valores e interesses dos sítios de património mineiro (21).
















Património em rede. Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal. http://www.roteirodeminas.pt/

O desenvolvimento do projecto de Rio Maior num espectro alargado a um plano nacional e internacional de produção de conhecimento na área da salvaguarda do património mineiro será um factor capital na sua sustentabilidade futura, gerando ainda condições para que, através do Centro de Investigação a criar, se torne possível um levantamento global, apresentação nas diferentes rotas, e estudo de uma estratégia conjunta para o património da indústria dos carvões em Portugal.

Neste sentido prevê-se a organização, na cidade de Rio Maior, de um Encontro Ibérico dedicado ao Património Mineiro dos Carvões, promovido no seio de uma parceria entre a EICEL Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, a Secção de Minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial (GEOMIN), a representação portuguesa do Comité Internacional para a Conservação do Património Industrial (TICCIH) e a Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM), no âmbito do qual será apresentado à comunidade científica dos dois países o projecto em curso nas Minas do Espadanal.

Notas:

(19) Página Web do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal. Disponível na internet via: http://www.roteirodeminas.pt/

(20) Página Web da Rota Europeia de Património Industrial (ERIH). Disponível na internet via: http://www.erih.net/

(21) Página Web da Rede Europeia de Património Mineiro (Europamines). Disponível na internet via: http://www.europamines.org/

Continua no próximo número do Região de Rio Maior

In Região de Rio Maior nº1178, de 6 de Maio de 2011

sexta-feira, maio 06, 2011

DESCENDENTES DO ANTIGO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, ANTÓNIO CUSTÓDIO DOS SANTOS, INTEGRAM CONSELHO CONSULTIVO DA EICEL.

António Custódio dos Santos (1885-1972), primeiro presidente da Câmara Municipal de Rio Maior após a revolução de 5 de Outubro de 1910 (1), director da segunda série do jornal O Riomaiorense, descobridor legal da Mina do Espadanal, a 21 de Julho de 1916, e sócio fundador da Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, Limitada, em 1920, foi uma das personalidades de maior relevo na vida da comunidade riomaiorense das primeiras décadas do século XX.

As minas do Espadanal, que constituíram o seu legado de maiores consequências na transformação económica e social do concelho de Rio Maior, foram simultaneamente a causa da grande desventura da sua vida, impondo-lhe o exílio no Brasil, em 1928, do qual não regressaria. Manteria, no entanto, um interesse apaixonado pelo desenvolvimento da actividade mineira local acompanhando, do outro lado do Atlântico, os sucessos da empresa concessionária nas décadas de quarenta e cinquenta, bem como as vicissitudes do seu declínio e encerramento na década de sessenta.

Cerca de quatro décadas passadas desde o falecimento de António Custódio dos Santos, a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, reconhece na sua vida e obra um objecto de estudo fundamental para a compreensão da história da lavra mineira dos carvões no concelho de Rio Maior.

No passado dia 18 de Abril, por ocasião da presença em Portugal dos três descendentes directos de António Custódio dos Santos, residentes no Brasil, os seus netos António Paulo Santos do Carmo, Tereza Cristina Santos do Carmo e António Sérgio Santos do Carmo, teve lugar a sua adesão ao Conselho Consultivo da EICEL, estabelecendo-se uma importante cooperação tendo em vista o aprofundamento e publicação futura de estudo biográfico do fundador da indústria mineira riomaiorense.


Nuno Alexandre Rocha, António Paulo Santos do Carmo, Tereza Cristina Santos do Carmo e António Sérgio Santos do Carmo, em visita à Mina do Espadanal.
















(1): Entre 6 de Outubro de 1910 e 1911, o cargo de Presidente da Câmara foi exercido em acumulação pelo Administrador do Concelho nomeado após a revolução, António de Sousa Varela.

In Região de Rio Maior nº1177, de 29 de Abril de 2011

EICEL. Programa de Acção 2011-2014 (Parte 4)

(continuação do n.º1176, de 22 de Abril de 2011, pág 7)

Importa para tal produzir uma oferta diversificada de conteúdos e meios qualificados pelo rigor histórico e científico, atendendo a, pelo menos, quatro públicos distintos:

1. O público em geral, interessado na aquisição de conhecimentos generalistas sobre a cultura técnica e científica e sobre a história e arquitectura do sítio. A este núcleo de visitantes importará a disponibilização de estruturas e eventos que convidem à permanência e fruição do Parque Geomineiro (cafetaria e restaurante, pequeno espaço comercial), bem como de uma diversificada oferta cultural nos espaços do Parque, nomeadamente no Auditório e Sala de Exposições Temporárias (artes performativas, eventos musicais, workshops), apoiada ainda na disponibilização de instalações para turismo de habitação, recuperando antigas residências mineiras.
A estes meios deve acrescentar-se uma adequada estratégia comercial assente na divulgação da história e da iconografia da antiga exploração mineira bem como de um programa regular de actividades culturais e de descoberta patrimonial e paisagística, enquadrado nos roteiros turísticos regionais, nacionais e internacionais.

2. A comunidade riomaiorense e a antiga comunidade mineira, a quem interessa sobretudo a Memória do seu passado histórico. A este grupo de visitantes será necessário fornecer um conteúdo aprofundado das circunstâncias particulares do desenvolvimento da indústria mineira local, fundado em intensa iconografia e exposição em contexto do património móvel que compunha o quadro funcional do trabalho na mina, evocando a experiência pessoal, de antepassados e conterrâneos, num quadro de divulgação de uma Identidade Comum, recuperada pela nova actividade cultural e científica enquanto projecto de futuro.



























Interacção com a Comunidade Escolar. Trabalho em curso: maqueta da antiga fábrica de briquetes, em execução por grupo de alunas da Escola Secundária de Rio Maior.


3. O público escolar, dos ensinos básico e secundário, a quem importa fornecer uma perspectiva pedagógica da história da técnica, do trabalho e das comunidades associadas à actividade mineira. A este grupo específico será necessário disponibilizar um serviço educativo e de animação dotado de capacidade de resposta científica e didáctica. O Centro de Ciência Viva encontra sobretudo neste público-alvo a sua justificação, e deverá ter na localização, a uma distância inferior a 500 metros, de cinco estabelecimentos de ensino básico e secundário, uma importante mais valia.


4. O público académico, constituído por estudantes do ensino superior e investigadores, a quem importa disponibilizar os meios para o estudo aprofundado das evidências materiais e imateriais da actividade mineira e industrial dos carvões e da história e património local. A criação de um Núcleo de Investigação reunindo um arquivo histórico (composto pelo arquivo EICEL, arquivo fotográfico e cartográfico da actividade mineira e pelo arquivo histórico municipal) e uma biblioteca especializada na temática do património industrial e mineiro, permitirá a resposta a este público específico.


As probabilidades de sucesso do Parque Geomineiro dependerão em grande medida da sua integração em estratégias de promoção mais vastas, explorando em primeiro lugar a privilegiada localização geográfica e acessibilidade por meio de curta viagem em auto-estrada, no contexto de uma das áreas de maior densidade populacional do país, devendo assim potenciar-se um capital de atractividade de públicos das regiões de Lisboa, Vale do Tejo e Oeste e, em simultâneo, impulsionando a sua presença em redes nacionais e internacionais dedicadas ao património industrial e geomineiro.


Importa ainda não negligenciar a oportunidade de afirmação deste património enquanto oferta singular numa região marcada por significativos fluxos turísticos, qualificada por dois monumentos reconhecidos enquanto Património Mundial pela UNESCO (Mosteiro de Alcobaça, a 28 km, e Mosteiro da Batalha, a 41 km), a uma proximidade entre 30 e 40 km de uma extensão importante da Costa Atlântica entre Peniche e Nazaré, a 30 km da cidade histórica de Santarém e a 22 km da estância termal de Caldas da Rainha, estabelecendo uma relação privilegiada com o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.


Continua no próximo número do Região de Rio Maior


In Região de Rio Maior nº1177, de 29 de Abril de 2011

quinta-feira, abril 28, 2011

MANOEL BARBOSA INTEGRA CONSELHO CONSULTIVO DA EICEL.

Prosseguindo o importante apoio concedido ao longo dos últimos quatro anos ao Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior, materializado em diferentes artigos de opinião, o pintor e performer riomaiorense Manoel Barbosa integra, desde o passado dia 1 de Abril, o Conselho Consultivo da EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico.

Manoel Barbosa vem defendendo, desde a década de setenta, a criação de um museu municipal e a projecção de Rio Maior enquanto território criativo através de uma aposta estratégica na cultura contemporânea e na identidade local. Reproduzimos opinião publicada no Região de Rio Maior, em Dezembro de 2010, sobre a possibilidade de recuperação da antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal:

"Não hesitaria em recuperar os edifícios, instalar a História da Mina e da Geologia concelhia e, colocar (!) de vez (!!) a cidade e o concelho (geoestrategicamente excelente) na rota das cada vez mais apetecidas “ofertas” da cultura contemporânea – artes cénicas, sonoras e visuais, exposições, etc. Garantidamente, tudo isso será (muito) viável, com custos mínimos ou suportáveis, se bem programado e protocolado com instituições e autores. Atrairá públicos, quiçá novos residentes (sentindo-se bem com “oferta” cultural...), revitalizará o comércio e a economia – não faltam exemplos, em Portugal, de pequenas e médias localidades exponenciadas e vivificadas pela cultura (!), que pode e deve gerar lucro! Naquela modelar arquitectura industrial post II G.Guerra, podem instalar o que quiserem!"

(Fotografia gentilmente cedida pelo Jornal Região de Rio Maior)

In Região de Rio Maior nº1176, de 22 de Abril de 2011

EICEL. Programa de Acção 2011-2014 (Parte 3)

(continuação do n.º1175, de 15 de Abril de 2011, pág 7)

1.1.1 – Proposta de criação de um Parque Geomineiro

Mário Barroqueiro (2006) analisa no plano académico a sustentabilidade de projectos de reabilitação e reconversão de antigos pólos de indústria mineira propondo como solução a criação de parques geomineiros (16), que define como “espaços situados em centros mineiros, onde se protege o património geológico e mineiro ali existente e onde são criadas infra-estruturas de forma a poderem ser visitados pelo público, sempre com objectivos lúdicos, didácticos e científicos” (17).

No caso do Couto Mineiro do Espadanal importava reflectir sobre a potencialidade do património existente para a criação de um espaço com estas características. O levantamento das evidências patrimoniais da extracção mineira de carvões em Rio Maior permitiu-nos concluir, não obstante a destruição operada na última década, pela existência de um património material e imaterial relevante e passível de salvaguarda e apresentação pública. A inexistência de qualquer passivo ambiental da exploração simplifica substancialmente a sua recuperação.

Evidencia-se a possibilidade de criação de áreas verdes lúdicas e didácticas de carácter urbano e florestal nos três antigos pólos da actividade técnica da mina (Espadanal, Bogalhos e Plano), interligadas por percursos pedonais, criando-se um modelo de preservação, recuperação e interpretação das estruturas existentes. Perante a destruição quase completa do pólo do Espadanal, avaliou-se um conjunto de funcionalidades complementares a instalar nos pólos de Plano e Bogalhos:

1. Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro, dotado de Centro de Documentação e Reservas, a instalar na antiga fábrica de briquetes.

2. Auditório e Sala de Exposições Temporárias, a instalar na antiga central eléctrica da fábrica de briquetes.

3. Centro de Ciência Viva dedicado à Indústria Mineira dos Carvões, a instalar na antiga Receita Exterior e Plano Inclinado de Extracção.

4. Unidade de turismo de habitação a instalar nas antigas residências de mineiros do pólo dos Bogalhos, mediante recuperação das estruturas existentes.

Destas propostas avulta uma dificuldade de base a ultrapassar: o elevado volume de investimento necessário para a recuperação de estruturas degradadas. Não nos parece ser este, no entanto, um critério fundamental para a avaliação da sustentabilidade do empreendimento, uma vez que, assegurada a salvaguarda do património existente, a sua recuperação deverá assentar num modelo faseado e prolongado no tempo, de acordo com as estratégias de financiamento possíveis.

A sustentabilidade de um projecto com estas características residirá sobretudo na sua capacidade de mobilização da comunidade local e da comunidade científica. Obtida uma consciência colectiva do valor do património mineiro riomaiorense, impõe-se a concertação de esforços para a sua recuperação, através do estabelecimento de protocolos de cooperação entre o Movimento Associativo local e nacional, a Autarquia, Instituições de Investigação Científica e Ensino Superior e entidades privadas.

Neste plano defendemos o estabelecimento de uma estrutura ao serviço da comunidade (18), aberta à participação de todos os interessados e em particular da comunidade educativa local, constituindo suporte para projectos diversificados de intervenção cultural e científica. Numa cidade que revela total carência de estruturas museológicas e arquivísticas, a recuperação e reutilização do património mineiro deverá permitir a constituição de um núcleo por excelência para o estudo e divulgação do património histórico, natural e cultural riomaiorense.


















Conjunto de 8 casas em banda construídas pela EICEL em 1946 nas imediações da secção dos Bogalhos e da mina de diatomite do Abum. Estado de conservação em Março de 2010.

Notas:
(16) O conceito de Parque Geológico e Mineiro foi defendido em 2001 por Josep Mata-Perelló no II Seminário Recursos Geológicos, Ambiente e Ordenamento do Território, realizado em Vila Real. Ver: MATA-PERELLÓ, J., et. al. – “Los parques geológicos y mineros: uma alternativa a la degradación de las antiguas área mineras”. In Actas do II Seminário Recursos Geológicos, Ambiente e Ordenamento do Território. Vila Real: UTAD, 2001, pp. 15-25.

(17) BARROQUEIRO, Mário – O declínio de centros mineiros tradicionais no contexto de uma geografia industrial em mudança. Dissertação de Mestrado em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sob a orientação do Prof. Dr. Mário Vale, Lisboa, 2005. Exemplar policopiado, pág. 164.

(18) “O museu é uma instituição ao serviço da sociedade, da qual é parte integrante e que possui nele mesmo os elementos que lhe permitem participar na formação da consciência das comunidades que ele serve.” Declaração de Santiago. Mesa-Redonda de Santiago do Chile – ICOM, 1972. Disponível na internet via: http://www.museologia-portugal.net/

Continua no próximo número do Região de Rio Maior

In Região de Rio Maior nº1176, de 22 de Abril de 2011

quinta-feira, abril 21, 2011

PATRIMÓNIO MÓVEL DA ANTIGA MINA DO ESPADANAL

EICEL ASSINA PROTOCOLOS DE COLABORAÇÃO COM JORGE MONTEIRO E FERNANDO PIEDADE.

Prosseguindo cooperação estabelecida no âmbito do Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior, a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico celebrou, no passado dia 31 de Março, protocolos de colaboração com Jorge Alexandre Carvalho Monteiro e Fernando Conceição Piedade, tendo como objectivo a conservação e exposição pública de património móvel originário do antigo Couto Mineiro do Espadanal.


Foi doada por Jorge Monteiro uma planta do traçado da Estrada Nacional n.º 114, entre Boiças e S. João da Ribeira, pertencente ao arquivo da antiga Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, Limitada, dispersado em parte na posse de privados no final da década de noventa, e cuja recuperação constitui objectivo da EICEL, com vista à futura criação de um Centro de Documentação.

Por Fernando Piedade foi doado um conjunto de peças recuperadas da antiga exploração mineira, compreendendo uma Caixa de Ponto, um briquete de lignite produzido na antiga fábrica de briquetes do engenheiro Gregori Filitti, uma picareta, um metro articulado das antigas oficinas de carpintaria, uma tenaz, uma roldana de cabo de aço, duas lancheiras utilizadas por mineiros, dois tubos de ensaio do laboratório, um estojo de metal para seringas e uma balança originários do antigo posto médico da empresa.

A EICEL prevê a exposição ao público do espólio que vem sendo reunido, no âmbito de actividades de divulgação e valorização do património mineiro do concelho de Rio Maior a organizar no decurso do ano de 2011.

Figura 1: Caixa de ponto da EICEL; figura 2: Extracto de planta do traçado da Estrada Nacional nº114, entre Boiças e S. João da Ribeira, pertencente ao arquivo EICEL; figura 3: Picareta.

In Região de Rio Maior nº1175, de 15 de Abril de 2011

EICEL. Programa de Acção 2011-2014 (Parte 2)

(continuação do n.º 1174, de 8 de Abril de 2011, pág. 7)

Localizada a 80 km (50 minutos) de uma capital europeia (Lisboa) e servida de boas acessibilidades, a cidade de Rio Maior constitui o ponto focal de um território caracterizado por uma relevante diversidade de eventos geológicos, destacando-se o Maciço Calcário Estremenho, o Vale Tifónico e as Salinas da Fonte da Bica, o afloramento basáltico prismático de Alcobertas, a bacia de lignites e diatomites do Espadanal marcada por significativo património mineiro, e os importantes depósitos de areias de sílica ainda em exploração.

Adivinha-se o potencial de criação de uma estratégia de valorização territorial assente no património geológico e mineiro – produto turístico apetecível pela sua diversidade paisagística, valor histórico e científico, acessibilidade e posicionamento geográfico, produzindo uma oferta profundamente firmada no território e abrindo perspectivas à exploração de vertentes complementares de turismo geomineiro, turismo cultural e turismo de habitação.

O interesse por este património natural, histórico e tecnológico ultrapassou já largamente um tradicional círculo de grupos socioprofissionais específicos (5), estendendo-se a um público cada vez mais alargado. Como reconhece Álvaro Domingues (2000), “o alargamento da escolarização, a renovação das metodologias pedagógicas (aprender vendo e fazendo), o interesse pela ciência e tecnologia, criaram públicos jovens ávidos por centros, cidades, museus… de ciência e tecnologia, onde a museologia industrial encontra um território fértil” (6).

O Programa Nacional de Ciência Viva constitui o mais destacado exemplo da concretização prática desta tendência em Portugal. Criado em 1996 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, compete a este programa “o apoio a acções dirigidas para a promoção da educação científica e tecnológica na sociedade portuguesa, com especial ênfase nas camadas mais jovens e na população escolar dos ensinos básico e secundário” (7).

A Ciência Viva desenvolve-se em três vertentes:

1. Ciência Viva nas Escolas, através de um “programa de apoio ao ensino experimental das ciências e à promoção da educação científica na escola” (8).

2. A Rede Nacional de Centros Ciência Viva, “concebidos como espaços interactivos de divulgação científica para a população” (9), constituindo “plataformas de desenvolvimento regional – científico, cultural e económico – através da dinamização dos actores regionais mais activos nestas áreas” (10).

3. Divulgação Científica e Tecnológica, através de “campanhas nacionais de divulgação científica, estimulando o associativismo científico e proporcionando à população oportunidades de observação de índole científica e de contacto directo e pessoal com especialistas em diferentes áreas do saber” (11).

O estabelecimento de uma rede de Centros de Ciência Viva em todo o território nacional vem sendo realizado com o apoio de universidades, autarquias, empresas e outros agentes de desenvolvimento regional, constituindo os lugares por excelência da aproximação dos cidadãos à ciência e ao património científico e tecnológico.

A Rede Nacional de Centros Ciência Viva é actualmente composta por 19 Centros distribuídos peloterritório continental e ilhas (12). O sucesso é mensurável nos números de visitantes registados, de entre os quais se destaca o Pavilhão do Conhecimento (13), em Lisboa, com 2.572.373 visitantes (uma média diária de 800 visitantes) desde a sua abertura até ao final de Dezembro de 2009. Importa, no entanto, retermos o exemplo mais próximo da realidade do concelho de Rio Maior: o Centro de Ciência Viva do Alviela (14), em Alcanena, inaugurado a 15 de Dezembro de 2007, que registou desde então, e até Julho de 2010, mais de 48.700 visitantes (uma média diária de 300 visitantes).

O primeiro Centro de Ciência Viva dedicado à actividade mineira foi oficialmente inaugurado a 29 de Junho de 2010 nas Minas do Lousal (15), concelho de Grândola, concretizando um investimento de 2.500.000€, num projecto participado pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, pela Faculdade de Ciências e o Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, pela Câmara Municipal de Grândola e pela Fundação Frédéric Velge, proprietária da antiga exploração mineira.

O projecto de recuperação e reutilização da antiga fábrica de briquetes da Mina do Espadanal oferece, pela relevância histórica e tecnológica do património existente, um quadro de oportunidade para o estudo de futura instalação de um Centro de Ciência Viva dedicado à indústria mineira dos carvões. Uma primeira etapa neste percurso se antevê, no entanto, necessária: a reinstalação do património mineiro no quadro de vida da cidade de Rio Maior e a sua divulgação junto das comunidades escolar e científica e do público em geral. Com esse objectivo propomos o desenvolvimento de duas iniciativas coordenadas: a criação de um Parque Geomineiro nas antigas parcelas do Couto Mineiro do Espadanal e o estabelecimento de parcerias nacionais e internacionais para a sua promoção.

Notas:
(5) BRANDÃO, J.M. – “Recuperação e fruição de uma herança patrimonial comum”. In Actas do Congresso Internacional sobre Património Geológico e Mineiro. Lisboa: Museu do Instituto Geológico e Mineiro, 2002, pág. 7.

(6) DOMINGUES, Álvaro – “Museologia Industrial – O que está a mudar?”. In 1º Encontro Internacional sobre Património e sua Museologia. Comunicações. Lisboa: EPAL, 2000, pp.7-10.

(7) “Ciência Viva – A Agência Ciência Viva”. Disponível na internet via: http://www.cienciaviva.pt/cienciaviva/agencia.asp

(8) “Ciência Viva – O Programa”. Disponível na internet via: http://www.cienciaviva.pt/cienciaviva/programa/

(9) Idem, ibidem.

(10) Idem, ibidem.

(11) Idem, ibidem.

(12) Página Web da Rede Nacional de Centros Ciência Viva. Disponível na internet via: http://www.centroscienciaviva.pt/

(13) Dados disponíveis na página Web do Pavilhão do Conhecimento. Disponível na internet via: http://www.pavconhecimento.pt/pavilhao/n_visitantes/

(14) Dados disponíveis na página Web do Centro de Ciência Viva do Alviela. Disponível na internet via: http://www.alviela.cienciaviva.pt/centro/visitantes/

(15) Página Web do Centro de Ciência Viva do Lousal. Disponível na internet via: http://www.lousal.cienciaviva.pt/

(Continua no próximo número do Região de Rio Maior)

In Região de Rio Maior nº1175, de 15 de Abril de 2011

sexta-feira, abril 15, 2011

EICEL PARTICIPOU NO 1º ENCONTRO EM ESPAÇOS MINEIROS, EM S. PEDRO DA COVA (GONDOMAR).

No passado dia 26 de Março, a EICEL – Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, representada por Nuno Alexandre Rocha, António Vieira de Carvalho, João Verde da Costa e Marcelino Pedro Machado, marcou presença no primeiro “Encontro em Espaços Mineiros”, organizado em S. Pedro da Cova pela Secção de Minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial (Geomin-APPI), entidade coordenada por Mário Barroqueiro (presidente da Mesa da Assembleia Geral da EICEL), em colaboração com a Junta de Freguesia e o Museu Mineiro daquela localidade.

Este evento, centrado na história da exploração de carvão nas Minas de S. Pedro da Cova, nas suas vertentes económica, patrimonial e humana, focalizando-se sobretudo, na problemática decorrente do seu encerramento em 1970, com a imediata venda de equipamentos e materiais, que originaram uma significativa destruição patrimonial; e no trabalho realizado desde 1989 para a salvaguarda e recuperação museológica do património material e imaterial sobrevivente, contou com visita guiada ao museu e ao que resta do complexo industrial mineiro, com o visionamento de filme realizado por Rui Simões em 1976, e com a apresentação de palestras.

A salvaguarda do património mineiro tem sido assumida pelas entidades públicas de S. Pedro da Cova e Gondomar como um importante factor de valorização da memória histórica da comunidade, e um catalisador para a promoção do desenvolvimento económico, cultural e turístico da região. Neste sentido, a Junta de Freguesia adquiriu um edifício, a “Casa da Malta”, que albergava operários oriundos de outras regiões do país, e transformou-o em Museu Mineiro, constituindo com o restante complexo um percurso museológico integrado no “Roteiro das minas e pontos de interesse mineiro e geológico de Portugal”. Há cerca de um ano, um elemento icónico deste complexo, o Poço de S. Vicente, foi declarado Património de Interesse Municipal, e actualmente, a Câmara Municipal de Gondomar tem já aprovado um plano de requalificação de todo aquele espaço.

Como corolário deste encontro, a Geomin-APPI elaborará um memorando com propostas e sugestões de melhoria para a intervenção no património mineiro de S. Pedro da Cova. Rio Maior acolherá um próximo “Encontro em Espaços Mineiros”, prosseguindo, no âmbito dos objectivos de actuação da EICEL, a inserção e divulgação do património mineiro riomaiorense numa rede nacional de espaços mineiros. E.

In Região de Rio Maior nº1174, de 8 de Abril de 2011

EICEL. Programa de Acção 2011-2014 (Parte 1)

O documento cuja publicação se inicia contém textos integrantes de Dissertação de Mestrado submetida pelo autor ao Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sob o título Couto Mineiro do Espadanal (Rio Maior). História, Património, Identidade.



















Enquadramento da fábrica de briquetes da Mina do Espadanal no tecido urbano da cidade de Rio Maior. Abril de 2008


EICEL – PROGRAMA DE ACÇÃO PARA O QUADRIÉNIO 2011 – 2014

1 – ESTUDOS PARA A CONSTITUIÇÃO DE NÚCLEO MUSEOLÓGICO MINEIRO. PROPOSTA DE RECUPERAÇÃO FASEADA E REUTILIZAÇÂO DA FÁBRICA DE BRIQUETES DA MINA DO ESPADANAL.

1.1 – REINSTALAÇÃO DO PATRIMÓNIO MINEIRO NO QUADRO DE VIDA DA COMUNIDADE RIOMAIORENSE

Um dos grandes desafios resulta de se tratar de um património em risco de desaparecer e sem uso actual. E aqui a questão central será como utilizá-lo e colocá-lo ao serviço do desenvolvimento, envolvendo as populações locais. Importa, neste contexto identificar e inventariar recursos (naturais e culturais) e (re)activar memórias e identidades. Depois, se se mostrar viável, transformá-los em produto de consumo, por via de estratégias de turismo cultural e através disso pensar quais as melhores formas de gestão, de protecção e de valorização” (1).

A cidade enquanto espaço de Conhecimento é, como de forma inspiradora a expõe João B. Serra (2010), uma cidade “que tira partido das raízes, da memória genética, que a desenvolve, que inova, que refaz os desígnios e alicia os protagonistas para a sua partilha” (2). É assim uma cidade democrática e participada – “dinâmica, porque reflecte, é reflexiva não é um puro reflexo” (3) – uma cidade que se recusa a ser mera reprodução mimética e extensível de modelos rentáveis de ocupação de solo, que “repudia a indiferença e a resignação, não se importa de correr riscos, de perturbar, de acrescentar, de ousar, de marcar presença” (4).

A persistência no espaço urbano de lugares de memória onde é possível ainda tocar o tempo histórico da construção das comunidades constitui uma oportunidade de reflexão sobre os processos de edificação da cidade contemporânea. Neste contexto, o património Industrial – um dos mais eloquentes testemunhos da aceleração de processos de transformação da humanidade desde o final do século XVIII – detém em si um valor universal que vem merecendo o reconhecimento generalizado pela comunidade científica internacional. Lugares da concretização de um esforço anónimo de gerações, a sua preservação é mais que a simples reutilização de velhos edifícios – é assegurar um futuro à evidência material da esperança e empenho de homens e mulheres comuns – é manter vivo o espírito de um tempo de construção de audaciosos monumentos de trabalho.

Herança recente e distante das concepções tradicionais de património cultural, uma paisagem industrial silenciada pelos processos de transformação económica e tecnológica das últimas décadas, aguarda a resolução do complexo desafio da sua reintrodução significante no quadro de vida das comunidades. Presenças expectantes, exteriores ao tecido produtivo, rentável, das cidades, os desafectados complexos industriais enfrentam riscos de destruição total ou parcial que apenas uma abordagem assente num profundo conhecimento das suas potencialidades, materializada na produção de sólidas propostas de adaptação e reutilização, poderá evitar.

A criação de museus e espaços dedicados à ciência e cultura, capitalizando o potencial de conhecimento técnico e científico presente na antiga actividade industrial junto de um público em crescimento pelo aumento da escolaridade e pelo potencial de atractividade de metodologias participativas de aquisição de conhecimento, vem constituindo uma abordagem de sucesso em diferentes países europeus.

Os antigos edifícios industriais poderão assumir-se enquanto lugares reabitados de uma nova indústria – lugares de valorização e transformação de uma mais valiosa matéria-prima: as ideias e os valores das comunidades humanas.

Notas:

(1) BARROQUEIRO, Mário – O declínio de centros mineiros tradicionais no contexto de uma geografia industrial em mudança. Dissertação de Mestrado em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sob a orientação do Prof. Dr. Mário Vale, Lisboa, 2005. Exemplar policopiado, pp. 173-174.

(2) SERRA, João Bonifácio – “Manifesto pela Cidade Imaginária”. In O que eu andei… Disponível na internet via: http://oqueeuandei.blogspot.com/2010/06/manifesto-pela-cidade-imaginaria.html

(3) Idem, ibidem.

(4) Idem, ibidem.

(Continua no próximo número do Região de Rio Maior)

In Região de Rio Maior nº1174, de 8 de Abril de 2011

sexta-feira, abril 08, 2011

EICEL. Programa de Acção 2011-2014 (apresentação)

Levantamento arquitectónico da fábrica de briquetes da mina do Espadanal. Desenho n.º 11. Nuno Alexandre Rocha. Arq.

Após a criação da EICEL, a 29 de Novembro de 2010, e na sequência da eleição dos primeiros corpos dirigentes, em Assembleia-Geral realizada a 15 de Janeiro do corrente ano, foi aprovado por unanimidade o Programa de Acção desta associação de defesa do património para o quadriénio 2011-2014.

O documento aprovado estabelece como objectivo o desenvolvimento coerente do Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior dando sequência aos estudos consolidados na Dissertação de Mestrado “Couto Mineiro do Espadanal (Rio Maior). História, Património, Identidade” submetida pelo Presidente da Direcção, arquitecto Nuno Rocha, ao Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na qual se produz uma leitura detalhada da história e do universo patrimonial subsistente, seu estado de conservação e potencialidade de reutilização apresentando propostas para a sua reintegração na vivência urbana da nossa cidade.

Criada e desenvolvida, nos últimos cinco anos, uma ampla consciência cívica do valor da história e do património mineiro riomaiorense, reunida a antiga comunidade mineira em torno de um projecto de recuperação, bem como obtido o seu reconhecimento pela comunidade científica, importa estabelecer no terreno uma metodologia sustentada de intervenção. Analisado o elevado investimento necessário à implementação de uma solução de restauro global, numa época marcada por notórias dificuldades de financiamento e em final de ciclo dos Quadros Comunitários de Apoio, verifica-se a improbabilidade, no curto prazo, de uma recuperação executada unicamente a expensas do Município.

Neste contexto, a EICEL apresenta uma proposta de intervenção faseada, numa estreita cooperação entre a autarquia, o movimento associativo, instituições de ensino superior e entidades privadas vocacionadas para o apoio a projectos culturais no âmbito do mecenato.

Tendo como objectivo a divulgação das propostas da EICEL à comunidade e a promoção de um debate profícuo sobre as soluções apresentadas – abertas a uma desejável valorização através do contributo dos riomaiorenses – terá início no próximo número do Região de Rio Maior a publicação semanal do Programa de Acção.
























Levantamento arquitectónico da fábrica de briquetes da mina do Espadanal. Desenho n.º 6. Nuno Alexandre Rocha. Arq.


(Continua no próximo número do Região de Rio Maior)

In Região de Rio Maior nº1173, de 1 de Abril de 2011

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

EICEL E CÂMARA MUNICIPAL REÚNEM PARA LANÇAMENTO DE TRABALHO CONJUNTO NA VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO MINEIRO




















Na passada quinta-feira, 10 de Fevereiro, teve lugar nos Paços do Concelho a primeira reunião entre a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico e a Câmara Municipal de Rio Maior, contando com a presença da Presidente Isaura Morais e da Vereadora Sara Fragoso, em representação do executivo, de Nuno Alexandre Rocha, António Vieira de Carvalho, João Verde da Costa e Marcelino Machado, em representação da EICEL, e de José Manuel Brandão, membro do Conselho Científico desta associação e representante em Portugal da Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM).

O Presidente da Direcção da EICEL, Nuno Rocha, procedeu a um enquadramento da história e do património do período mineiro riomaiorense, bem como a uma síntese do trabalho realizado desde 2005 no âmbito do Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior.

Seguiu-se a apresentação do programa de acção da EICEL para o quadriénio 2011-2014, com a oferta de um exemplar ao executivo municipal. Deste programa, que merecerá publicação nas páginas do Região de Rio Maior, destaca-se a disponibilização de todo o volume de trabalho realizado e espólio reunido com vista à concepção e instalação de Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro do Concelho de Rio Maior na antiga fábrica de briquetes da mina do Espadanal, entendido como valência essencial a integrar em estratégia global de recuperação impulsionada pelo Município.

Foi sublinhada a convergência de objectivos entre as duas entidades verificando-se a necessidade de lançamento de uma equipa de trabalho conjunta que permita a produção de resultados concretos ainda durante o ano de 2011, nomeadamente na organização de acções de valorização do património envolvendo a comunidade escolar riomaiorense e a comunidade científica nacional.

Neste sentido foi analisada a possibilidade de co-organização de uma terceira Jornada do Património Mineiro, no final do presente ano lectivo, com a apresentação dos resultados de cooperação da EICEL com os professores Paulo Sá e Rosa Batista, em desenvolvimento por dois grupos de alunas da Escola Secundária de Rio Maior, bem como a possibilidade de realização em Rio Maior de Encontro Internacional dedicado ao Património Mineiro dos Carvões a co-organizar pela EICEL, pela Câmara Municipal de Rio Maior e pela SEDPGYM.

In Região de Rio Maior nº1167, de 18 de Fevereiro de 2011

sábado, fevereiro 12, 2011

PATRIMÓNIO MÓVEL DA ANTIGA MINA DO ESPADANAL

EICEL E JOSÉ LUÍS BAPTISTA CRISÓSTOMO ASSINAM PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO

Dando continuidade a cooperação estabelecida, desde o ano de 2008, no âmbito do Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior, coordenado pelo arquitecto Nuno Rocha, foi celebrado, no passado domingo, dia 30 de Janeiro, um protocolo de colaboração entre o Sr. José Luís Baptista Crisóstomo e a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, tendo como objectivo a conservação e exposição pública de património móvel originário do antigo Couto Mineiro do Espadanal, recuperado na década de setenta após o desmantelamento e venda de todo o equipamento do complexo industrial.

O conjunto de peças inventariadas, algumas das quais já oportunamente apresentadas à comunidade no decurso das duas Jornadas do Património Mineiro realizadas em 2008 e 2009, compreende um moinho de cilindros dentados da secção de trituração da antiga fábrica de briquetes, dotado de motor eléctrico e respectivo arrancador, um chassis de vagoneta com rodados, uma máquina utilizada na rectificação dos moldes da prensa de briquetes e uma porta de fornalha originária da central eléctrica da antiga fábrica de briquetes.

A EICEL prevê a exposição ao público das peças recuperadas, no âmbito de actividades de divulgação e valorização do património mineiro do concelho de Rio Maior a organizar no decurso do ano de 2011.


Imagens: 01. Moinho de cilindros da secção de trituração da antiga fábrica de briquetes; 02. Porta de fornalha da central elécrtica da antiga fábrica de briquetes; 03. Arrancador do motor eléctrico do moinho de cilindros; 04. Chassis de vagoneta com rodados; 05. Máquina de rectificação dos moldes da prensa de briquetes.

In Região de Rio Maior nº1165, de 4 de Fevereiro de 2011