sábado, fevereiro 12, 2011

PATRIMÓNIO MÓVEL DA ANTIGA MINA DO ESPADANAL

EICEL E JOSÉ LUÍS BAPTISTA CRISÓSTOMO ASSINAM PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO

Dando continuidade a cooperação estabelecida, desde o ano de 2008, no âmbito do Processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior, coordenado pelo arquitecto Nuno Rocha, foi celebrado, no passado domingo, dia 30 de Janeiro, um protocolo de colaboração entre o Sr. José Luís Baptista Crisóstomo e a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, tendo como objectivo a conservação e exposição pública de património móvel originário do antigo Couto Mineiro do Espadanal, recuperado na década de setenta após o desmantelamento e venda de todo o equipamento do complexo industrial.

O conjunto de peças inventariadas, algumas das quais já oportunamente apresentadas à comunidade no decurso das duas Jornadas do Património Mineiro realizadas em 2008 e 2009, compreende um moinho de cilindros dentados da secção de trituração da antiga fábrica de briquetes, dotado de motor eléctrico e respectivo arrancador, um chassis de vagoneta com rodados, uma máquina utilizada na rectificação dos moldes da prensa de briquetes e uma porta de fornalha originária da central eléctrica da antiga fábrica de briquetes.

A EICEL prevê a exposição ao público das peças recuperadas, no âmbito de actividades de divulgação e valorização do património mineiro do concelho de Rio Maior a organizar no decurso do ano de 2011.


Imagens: 01. Moinho de cilindros da secção de trituração da antiga fábrica de briquetes; 02. Porta de fornalha da central elécrtica da antiga fábrica de briquetes; 03. Arrancador do motor eléctrico do moinho de cilindros; 04. Chassis de vagoneta com rodados; 05. Máquina de rectificação dos moldes da prensa de briquetes.

In Região de Rio Maior nº1165, de 4 de Fevereiro de 2011

domingo, janeiro 30, 2011

EICEL - Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico reúne primeira Assembleia-Geral


















I Assembleia-Geral da EICEL: Da esquerda para a direita: Mário Barroqueiro, Jorge Mangorrinha, Nuno Rocha, Alexandre Araújo e João Verde da Costa.

Na sequência do acto de constituição, realizou-se no passado dia 15 de Janeiro a I reunião ordinária da Assembleia-Geral da EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico. No âmbito da ordem de trabalhos procedeu-se à eleição dos corpos sociais e à apreciação do Programa de Acção para o Quadriénio 2011-2014.

A EICEL centrará os seus esforços, em particular, no estudo e valorização das evidências materiais e imateriais da actividade dos coutos mineiros do Espadanal, da Quinta da Várzea e Rio Maior, concessionados à antiga Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Limitada (EICEL).

Com este objectivo foram constituídas três comissões especializadas que apoiarão com o seu parecer as actividades programadas pelos corpos sociais eleitos:

1 - O Conselho Científico, integrando especialistas nacionais das diferentes áreas científicas associadas aos estudos sobre o património mineiro, industrial e arquitectónico, que conta com a participação do Prof. Doutor José Manuel Cordeiro, representante em Portugal do Comité Internacional para a Conservação do Património Industrial (TICCIH) e Presidente da Associação Portuguesa para o Património Industrial (APPI), e do Doutor José Manuel Brandão, representante em Portugal da Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM).

2 – O Conselho Consultivo, integrando individualidades que contribuíram para o reconhecimento do valor do património mineiro riomaiorense, que conta desde já com a participação da Dra. Maria Júlia Faria e Silva Antunes Figueiredo, deputada da Assembleia Municipal de Rio Maior, da Dra. Maria da Ascenção Adrião Duarte, Assessora da Assembleia da República e do Comandante Luís Fernando Falcão Mena, filho do antigo Director Técnico das Minas do Espadanal, Eng.º Luís Falcão Mena.

3 – A Comissão de antigos funcionários da EICEL, que integra presentemente os Srs. Marcelino Machado, Miguel Barbosa da Palma, Silvestre Cardana, Víctor Almeida, Alcino Marques, Manuel Palminhas, Francisco Rogério, António Severino Pereira e João Severino Inácio.
Dos trabalhos da I Assembleia-Geral resultou a seguinte constituição dos corpos sociais da EICEL para o quadriénio 2011-2014:

Direcção:

Presidente: Nuno Alexandre Dias Rocha. Arquitecto, pós-graduado em Arte, Património e Teoria do Restauro.
Vice-Presidente: António José Vieira de Carvalho. Médico.
Vogal: João Luís Mota Bogalho. Arquitecto, professor do ensino secundário.

Mesa da Assembleia-Geral .

Presidente: Mário Luís Gaspar Barroqueiro. Geógrafo, mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local. Coordenador da secção de minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial.
1º Secretário: Jorge Manuel Mangorrinha Martins. Arquitecto, mestre em História Local e Regional (especialização em Património), doutor em Urbanismo.
2º Secretário: Eva Raquel da Silva Neves. Especialista em conservação e restauro.

Conselho Fiscal .

Presidente: João Narciso Verde da Costa. Sondador do antigo Instituto Geológico e Mineiro, aposentado.
Secretário: Marcelino Pedro Machado. Antigo mineiro e operário da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Limitada (EICEL)
Relator: Alexandre Miguel Paula Araújo. Técnico de informática.

Os representantes dos órgãos eleitos sublinharam o seu empenho no estabelecimento de uma estreita cooperação cívica com as entidades locais que permita a recuperação do património mineiro enquanto meio de valorização da comunidade riomaiorense.

In Região de Rio Maior nº1163, de 21 de Janeiro de 2011

sexta-feira, dezembro 17, 2010

CRIADA A EICEL




CONSTITUÍDA A EICEL, ASSOCIAÇÃO PARA A DEFESA DO PATRIMÓNIO MINEIRO, INDUSTRIAL E ARQUITECTÓNICO.

Tendo como objectivo o prosseguimento do processo de estudo e salvaguarda do património mineiro do concelho de Rio Maior, e perante a existência de divergências internas insanáveis no seio do Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), confirmou-se a necessidade de criação de uma nova plataforma de trabalho com capacidade operativa e científica no âmbito da cooperação desenvolvida entre os vários parceiros do projecto.

Surgiu neste contexto, no passado dia 29 de Novembro, a EICEL, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, recuperando, como homenagem, a sigla histórica da antiga empresa concessionária do Couto Mineiro do Espadanal, fundada em 1920.

A nova estrutura associativa promoverá o desenvolvimento do trabalho em curso reunindo diversos membros da comunidade associados ao longo dos últimos cinco anos e todos os seus parceiros científicos, integrando uma Comissão de Antigos funcionários da EICEL, e prevendo ainda a criação de duas novas comissões especializadas: uma Comissão Consultiva integrando individualidades que contribuíram para o reconhecimento do valor do património mineiro riomaiorense e uma Comissão Científica integrando especialistas nacionais das diferentes áreas científicas associadas aos Estudos sobre o património mineiro, industrial e arquitectónico.

In Região de Rio Maior nº1157, de 10 de Dezembro de 2010

terça-feira, dezembro 07, 2010

MINA DESMINADA !?

A notícia, no “Região de Rio Maior” (05 de Novembro), “Recuperação da fábrica de briquetes da Mina do Espadanal assegurada sem custos para o município. CER aguarda autorização da Câmara Municipal” , recoloca ao executivo camarário (e à oposição), à assembleia municipal e à junta de freguesia de Rio Maior, não um problema, mas sim uma feliz herança que requer solução urgente, bastante atenta e decisiva: que futuro para todo o espaço edificado e envolvente da Mina do Espadanal.

Sendo possível, proximamente, a execução da primeira fase dum plano de recuperação parcial sem encargos para a autarquia, fica desse modo sinalizado mais um momento histórico (e irreversível) do marcante, extraordinário e modelar complexo mineiro.

É de facto uma feliz herança para a autarquia e para os riomaiorenses, possuir esse património não só local, mas também da História do país. Escuso-me, porque desnecessário, relevar aqui a importância da extracção de minério, durante décadas, quase imediatamente post II Grande Guerra, e a sua contribuição para solucionar um problema nacional, o desenvolvimento e introdução de novos relacionamentos que provocou na então vila, o acolhimento, integração de muitas centenas de famílias e consequente “repovoamento” com mais nativos e diferentes culturas, a projecção e o conhecimento do concelho, a reactivação do comércio local, e tudo o que moveu, indiciou, proporcionou. Muito raramente vejo, ao longe, “A Mina”. Mas sempre que tal acontece, tenho a sensação (quem a não terá?) duma re-identidade e simultaneamente dum apelo vindo do imponente edifício e da icónica chaminé: “aproveitem-me !” Tem de ser aproveitado !, todo aquele complexo e áreas envolventes !

Não tendo o município monumentos históricos identitários a nível nacional (as Marinhas de Sal são uma raridade), seria incompreensível, inadmissível e indesculpável se a Câmara não recuperasse tão peculiar território (incluindo o subterrâneo) e não projectasse o concelho a partir dum novo, necessário e urgente zénite, no caso (também, finalmente ?) cultural, museológico e turístico. Sabendo o que instalar, como promover acervos e para quem direccionar actividades, acredito que a autarquia o fará, em tempo certo, apesar da crise e da enorme, cerceadora dívida por resolver: Existem vontades inabaláveis; há um projecto detalhado, decisivo (concretizado pelo impagável arquitecto Nuno Alexandre Rocha) e um movimento associativo que, não só alertou para a situação, mas também promoveu acções de sensibilização e de recolha de utensílios e de documentos. Os apoios surgirão se correctamente solicitados às entidades nacionais e europeias competentes. Em suma, porque reutilizáveis para fins culturais, patrimoniais, educacionais e lúdicos, aqueles edifícios e terrenos não devem, não podem, ser demolidos nem vendidos a interesses particulares, como quase aconteceu em 2007.

Compete à Câmara congregar, aproveitar competências dos cidadãos, de instituições, e co-organizar correctamente as coordenadas iniciáticas dum projecto singular e exemplar. Publicamente, que se saiba, poucos riomaiorenses com responsabilidades políticas, sociais e culturais conseguiram (ou quiseram), nos últimos anos, pensar, activar turística e culturalmente “A Mina”. Não há (infelizmente durante décadas ninguém teve discernimento para tal) uma substancial recolha de instrumentos de trabalho, de máquinas, de quantidade interessante de briquetes, etc, etc.

Museologicamente, naqueles espaços enormes serão exibíveis as “peças” possíveis (não são poucas), mas, com imaginação e criatividade lúcidas e direccionadas especificamente ao concelho, também à região e sobretudo ao país, pode, a entidade orientadora e programadora, criar áreas de lazer, um pólo museológico, um centro de estudos e simultaneamente um complexo cultural polivalente dedicado à contemporaneidade.

Simples (de nada valerá, sei-o) opinião minha: não hesitaria em recuperar os edifícios, instalar a História da Mina e da Geologia concelhia e, colocar(!) de vez(!!) a cidade e o concelho (geoestrategicamente excelente) na rota das cada vez mais apetecidas “ofertas” da cultura contemporânea – artes cénicas, sonoras e visuais, exposições, etc. Garantidamente, tudo isso será (muito) viável, com custos mínimos ou suportáveis, se bem programado e protocolado com instituições e autores. Atrairá públicos, quiçá novos residentes (sentindo-se bem com “oferta” cultural...), revitalizará o comércio e a economia – não faltam exemplos, em Portugal, de pequenas e médias localidades exponenciadas e vivificadas pela cultura !, que pode e deve gerar lucro ! Naquela modelar arquitectura industrial post II G.Guerra, podem instalar o que quiserem!

O actual executivo camarário ficará ligado à História da cidade e do concelho, ao provocar uma necessária e motivante descolagem com o quotidiano, aproveitando as infra-estruturas, os espaços, para pensar, estruturar e activar o futuro ! Se objectivar a longo prazo face às necessidades dos estratos sociais, dos graus etários, dos conhecimentos culturais dos cidadãos. Se quiser concluir que vive num irreversível “mundo global” que necessariamente respeita, preserva, estuda, mostra, promove mas não pára no Passado, num período contemporâneo célere, hiper-criativo, ávido por dinâmicas para o Séc.XXI e já liberto de constrangimentos políticos, administrativos ou sociais.

Manoel Barbosa

Lisboa 2010 Novembro

N : Recuso-me escrever pelo vigente acordo ortográfico luso-brasileiro.

In Região de Rio Maior nº1156, de 3 de Dezembro de 2010

sábado, novembro 06, 2010

RECUPERAÇÃO DA FÁBRICA DE BRIQUETES DA MINA DO ESPADANAL ASSEGURADA, SEM CUSTOS PARA O MUNICÍPIO. CER AGUARDA AUTORIZAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL


























Figura 1 – Reprodução da peça desenhada n.º 10 do Levantamento Arquitectónico da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal, realizado pelo vice-presidente do CER, Arq. Nuno Rocha.

O Processo de Estudo e Salvaguarda do Património Mineiro Riomaiorense, criado e coordenado pelo vice-presidente do Centro de Estudos Riomaiorenses, arquitecto Nuno Alexandre Rocha, desde o ano de 2005, e que permitiu assegurar a persistência da fábrica de briquetes da mina do Espadanal enquanto Património Histórico e Arquitectónico de referência para a comunidade local, teve no passado mês de Junho um corolário dos esforços até aqui desenvolvidos, com uma proposta de parceria apresentada à Câmara Municipal de Rio Maior.
Na sequência dos trabalhos desenvolvidos, nomeadamente o estudo detalhado da história do período mineiro riomaiorense, o inventário do património subsistente, o levantamento arquitectónico do conjunto edificado da fábrica de briquetes da mina do Espadanal, a análise do seu estado de conservação e o estudo de reutilização dos seus espaços, é possível o lançamento, no imediato, da execução de um plano de recuperação faseada daquele antigo complexo mineiro.
Com este objectivo, em reuniões nas quais marcaram presença, pela Câmara Municipal, Isaura Morais, Nuno Malta e Sara Fragoso, pelo CER, Nuno Rocha, Manuel Sequeira Nobre, José da Silva Pulquério, Maria da Ascenção Duarte, António Feliciano Jr., João de Castro e Rui Andrade e, pelo Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (IHA-FLUL), o Prof. Dr. Fernando Grilo, foi apresentada proposta de celebração de protocolo entre a Câmara Municipal, o CER e o IHA-FLUL, para a concepção e implementação, sem encargos para a autarquia, de projecto de restauro e musealização da fábrica de briquetes.
O projecto apresentado conta com a colaboração do Comité Internacional para a Conservação do Património Industrial (TICCIH), através do seu representante em Portugal, Prof. Dr. José Manuel Cordeiro; da Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM), através do seu representante em Portugal, Dr. José Manuel Brandão; e da Secção de Minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial (APPI-GEOMIN).

UM PARQUE GEOLÓGICO E MINEIRO RECUPERANDO OS ANTIGOS PÓLOS DE ACTIVIDADE DO COUTO MINEIRO DO ESPADANAL

O CER apresenta como principal objectivo a qualificação da vivência urbana da cidade de Rio Maior através da implementação de uma estratégia de valorização territorial capitalizando a existência de uma relevante diversidade de eventos geológicos na região bem como a persistência de um importante conjunto de evidências materiais e imateriais da extracção mineira de carvões e diatomites no concelho.
Abrindo perspectivas à exploração de vertentes complementares de turismo geomineiro, turismo cultural e turismo de habitação, é proposta a criação de um Parque Geológico e Mineiro recuperando as estruturas do antigo Couto Mineiro do Espadanal.
Num projecto a implementar de forma faseada, mediante a evolução das disponibilidades de financiamento, propõe-se a criação de áreas verdes lúdicas e didácticas nos três antigos pólos técnicos da actividade da mina do Espadanal, interligadas por percursos pedonais, criando-se um modelo de preservação, recuperação e interpretação das estruturas existentes.

É proposta a instalação de um Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro, dotado de centro de documentação, bem como de um auditório e sala de exposições temporárias, na antiga fábrica de briquetes, a instalação de um Centro de Ciência Viva dedicado à indústria mineira dos carvões, na antiga receita exterior e plano inclinado de extracção da mina, e de uma unidade de turismo de habitação em antigas residências de mineiros.

UM CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO PATRIMÓNIO GEOLÓGICO E MINEIRO DO CONCELHO DE RIO MAIOR, A INSTALAR NA ANTIGA FÁBRICA DE BRIQUETES

O CER propõe-se impulsionar, no imediato, uma primeira fase, com a instalação de um Centro de Interpretação do Património Geológico e Mineiro do concelho de Rio Maior na antiga fábrica de briquetes, para o qual define uma missão assente em três planos: um plano regional, com particular incidência sobre a comunidade escolar da região; um plano nacional, assente no desenvolvimento de projectos de investigação e parcerias especializadas nas diferentes vertentes de estudo associadas à indústria mineira; e um plano internacional, com a promoção em concreto de uma parceria com a SEDPGYM, desenvolvendo um espaço ibérico de debate de conceitos e experiências, através da criação de um evento anual dedicado ao património dos carvões, a promover nas redes europeias de património mineiro e industrial.
A estrutura organizativa do Centro de Interpretação a instalar funda-se em quatro eixos de actuação:
1 - Interpretação, com a criação de uma exposição permanente da história e do património da actividade mineira local, destinado à comunidade escolar, aos riomaiorenses e a um público generalista interessado na temática do património industrial e mineiro;
2 – Investigação, com a constituição de um centro de documentação dotado de biblioteca especializada e particularmente vocacionado para um público-alvo de nível universitário;
3 – Dinamização, tendo como objectivo a revitalização cultural da comunidade riomaiorense e a afirmação de Rio Maior em redes nacionais e internacionais de cidades mineiras, criando um destino com potencial de atracção no sector do turismo cultural;
4 – Divulgação, através de uma política editorial que contribua para a colmatação de uma sensível ausência de publicações dedicadas à história e ao património do concelho de Rio Maior e permita alargar a bibliografia de referência sobre o património mineiro em Portugal.

O património mineiro do concelho de Rio Maior deverá ser recuperado numa estreita cooperação entre as entidades públicas, o movimento associativo e a comunidade local, com o envolvimento fundamental da antiga comunidade mineira, entretanto reunida no seio do CER em Comissão de antigos Funcionários da EICEL.
A instalação do Centro de Interpretação aguarda apenas, como ponto de partida, a disponibilidade da Câmara Municipal para o estabelecimento de protocolo com o CER e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa tendo em vista o desenvolvimento e implementação, sem custos para o Município, de projecto de recuperação faseada da antiga fábrica de briquetes.

CER ASSEGUROU A ORGANIZAÇÃO DE ENCONTRO IBÉRICO DEDICADO AO PATRIMÓNIO MINEIRO DOS CARVÕES, A REALIZAR EM RIO MAIOR EM SETEMBRO DE 2011

Na sequência de cooperação existente, desde 2006, entre o vice-presidente do CER, a representação portuguesa da Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM), através do Dr. José Manuel Brandão, e a Secção de Minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial (APPI-GEOMIN), o Centro de Estudos assegurou a realização em Rio Maior de um Encontro Ibérico dedicado ao património mineiro dos carvões, agendado para o primeiro fim de semana de Setembro de 2011, coincidindo com a nossa Feira anual.
O Memorando deste encontro, prevendo a apresentação de trabalhos por secções temáticas, a realização de conferências (sessões plenárias), de visitas de campo e de exposições, bem como a publicação de monografias dedicadas ao património mineiro riomaiorense, foi apresentado à Câmara Municipal, convidada pelo CER a integrar a organização.
O conjunto de entidades locais, nacionais e internacionais que integram o núcleo organizador aguarda resposta do executivo camarário sobre o seu interesse em acolher este evento que constituirá um importante contributo para a promoção de Rio Maior e do seu património.


UM PROJECTO DE CIDADANIA, CONTANDO COM A PARTICIPAÇÃO EMPENHADA DE DOIS GRUPOS DE ALUNOS DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE RIO MAIOR

Tendo conhecimento do projecto de recuperação da antiga fábrica de briquetes da mina do Espadanal, promovido pelo CER, dois grupos de alunos do 12.º ano da Escola Secundária de Rio Maior apresentaram o seu interesse no desenvolvimento de projectos dedicados à valorização do património mineiro do nosso concelho, em colaboração com esta associação.
Os projectos a desenvolver no ano lectivo recentemente iniciado, sob coordenação dos professores Paulo Costa de Sá e Rosa Batista, e que merecerão apresentação no Encontro Ibérico a realizar em Setembro de 2011, prevêem a realização de palestras e exposições, actividades didácticas, entrevistas aos antigos mineiros, organização de um encontro de voluntários para limpeza da fábrica de briquetes e execução de uma maqueta daquele complexo industrial.
O CER solicitou à Câmara Municipal de Rio Maior, no passado dia 26 de Outubro, a autorização para o início imediato de iniciativas de limpeza e execução de primeiras obras de conservação da antiga fábrica de briquetes.

In Região de Rio Maior nº1152, de 5 de Novembro de 2010

domingo, julho 18, 2010

CENTRO DE ESTUDOS RIOMAIORENSES APRESENTA À CÂMARA MUNICIPAL DE RIO MAIOR PROJECTO INTERNACIONAL PARA RESTAURO E MUSEALIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO MINEIRO.




















Em conversa com o nosso Director, e membro da Direcção do CER, António Feliciano Júnior, tomámos conhecimento da recente realização de reuniões para o estabelecimento de parceria entre esta Associação para a Defesa do Património, a Câmara Municipal de Rio Maior e o Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo como objectivo a elaboração e implementação de projecto de restauro e musealização da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal.

O Projecto que, segundo soubemos, deverá ser realizado sem encargos para o Município e tem, desde já, preparada candidatura a financiamento no âmbito da Lei do Mecenato, prevê o desenvolvimento de um quadro de parcerias internacionais inédito no concelho de Rio Maior, merecendo o apoio do órgão consultivo da UNESCO para o património industrial (Comité Internacional para a Conservação do Património Industrial, TICCIH), da Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM) e da Secção de Minas da Associação Portuguesa para o Património Industrial (APPI-GEOMIN).

É conhecido o vasto espólio mineiro reunido pelo CER, nos últimos anos, tendo como objectivo a criação de um museu mineiro, com a recolha de diversos maquinismos, centenas de fotografias e documentos históricos, bem como a recolha de património imaterial, através do envolvimento da antiga comunidade mineira em Comissão de Antigos Funcionários da EICEL, criada no seio desta associação.

Parecem assim estar reunidas as condições para o restauro e musealização da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal, sustentado num projecto sólido, com fundamento no mais reconhecido plano científico internacional e no apoio dos riomaiorenses.A comunidade local aguardará, certamente com expectativa, a apresentação pública deste projecto, que surge como corolário natural e consequente de um Processo de Estudo e Salvaguarda do Património Mineiro amplamente noticiado, desde 2006, nas páginas do Região de Rio Maior, e que vem mobilizando de forma inédita o empenho dos riomaiorenses na preservação da sua Memória Colectiva.

In Região de Rio Maior nº1136, de 16 de Julho de 2010

quarta-feira, julho 07, 2010

INVASÕES FRANCESAS EM DESTAQUE NA BIBLIOTECA

PROFESSOR DOUTOR ANTÓNIO PEDRO VICENTE FALOU SOBRE "RIO MAIOR NO TEMPO DE NAPOLEÃO"

No âmbito do bicentenário das Invasões Francesas, esteve no passado dia 26, na Biblioteca Municipal, o Professor Doutor António Pedro Vicente, para dar uma conferência sobre o tema "Rio Maior no tempo de Napoleão", a convite do Centro de Estudos Riomaiorenses (CER).

Depois de Luís Laureano Santos (que acompanhava na mesa de honra, para além do conferencista, o irmão Alexandre Laureano Santos e João de Castro, presidente da Direcção do CER), ter feito um resumo do curriculo do conferencista, que é doutorado em História pela Universidade de Paris e professor catedrático de História Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa, chegou a vez de António Pedro Vicente, perante uma sala lotadíssima, fazer um resumo do que foram as Invasões Francesas em Portugal que, para ele, não começaram, "como dizem os livros", com a vinda das tropas de Junot, mas sim em 1801, quando Napoleão enviou "notáveis engenheiros" para se inteirarem da toponímia e geografia do país. Em Outubro de 1807 as tropas francesas entraram então em Portugal, sob o comando de Junot, que já tinha sido embaixador em Lisboa e que tinha combatido em Itália, onde fora ferido na cabeça, tendo ficado, segundo o conferencista "meio louco", e também combateu no Egipto.

Aquela que se diz ser a terceira invasão francesa, mas que António Pedro Vicente considera ser a quarta, ficou marcada pela batalha do Buçaco onde morreram milhares de franceses, e muito menos aliados. Aí Junot combatia no exército liderado pelo Marechal André Massena, em Setembro de 1810. Em Outubro os franceses atingiram as Linhas de Torres, de onde saíram derrotados.

Depois dessa retirada das Linhas de Torres, deslocaram-se para a zona entre Rio Maior - Cartaxo - Santarém, onde se encontravam alimentos mais facilmente - os ingleses tinham dificultado ao máximo a vida dos invasores ao destruir propriedades agricolas, por exemplo. Foi nessa retirada que Junot deverá ter sido gravemente ferido na face, na zona de Rio Maior, tendo ficado ainda mais "louco". Diz-se até que quando se irritava, mesmo depois da recuperação, sangrava. A data de que se fala relativamente a este acontecimento é a de 19 de Março de 1811, mas António Pedro Vicente diz que "é mentira", uma vez que por essa altura os franceses já não estavam por cá, sendo Fevereiro a data mais provável.

António Pedro Vicente ofereceu alguns livros da sua autoria, sobre as invasões francesas, à biblioteca do CER.
No final houve um período de questões por parte dos interessados.

Zélia Vitorino. In Região de Rio Maior nº1134, de 2 de Julho de 2010

sexta-feira, junho 18, 2010

CENTRO DE ESTUDOS RIOMAIORENSES (CER) ORGANIZA CONFERÊNCIA NO ÂMBITO DO BICENTENÁRIO DAS INVASÕES FRANCESAS

Jean-Andoche Junot – General francês gravemente ferido em Rio Maior em 19 de Janeiro de 1811.

O Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), associação para a defesa do património do concelho de Rio Maior, organizará no próximo dia 26 de Junho, pelas 16h, no auditório da Biblioteca Municipal, uma Conferência no âmbito do Bicentenário das Invasões Francesas, subordinada ao tema: “Rio Maior no tempo de Napoleão” e proferida pelo Professor Doutor António Pedro Vicente.

O distinto orador é Doutorado em História pela Universidade de Paris (Nanterre). Professor Catedrático de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Académico de Número da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de várias instituições, entre as quais a Real Academia de História de Espanha, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, a Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes de S. Paulo e as Academias de História da Venezuela, México, Chile e Argentina. Foi Conselheiro Cultural na Embaixada de Portugal em Madrid (1982/86). Foi Vogal da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses em representação do Ministério da Educação. É Vogal da Comissão Portuguesa de História Militar e membro do seu Conselho Científico em representação do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP). Prémio Calouste Gulbenkian de História, concedido pela Academia Portuguesa da História (2001). Prémio da Fundação António de Almeida (História), concedido pela Academia Portuguesa da História. Comendador da Ordem de Isabel, a Católica (Espanha). Comendador da Ordem de Mérito Civil (Espanha). Medalha de Honra da Universidade do Estado de S. Paulo (Brasil).

O CER convida todos os riomaiorenses a marcarem presença neste evento.

In Região de Rio Maior, nº1132, de 18 de Junho de 2010

sábado, junho 05, 2010

Com organização do Centro de Estudos Riomaiorenses. DIA INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE INCIDIU NA SERRA DOS CANDEEIROS.


















A Jornada pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, promovida pelo Centro de Estudos Riomaiorenses (CER) em 22 de Maio, Dia Internacional da Biodiversidade ocorreu num dia de Primavera esplendoroso e sem vento, com uma atmosfera tão límpida que permitia descortinar os contornos da Serra da Arrábida do cimo dos Candeeiros. Cerca de quarenta participantes reuniram-se junto à igreja paroquial de Rio Maior e, num pequeno autocarro e em carros privados, fizeram rumo à serra.

A primeira paragem foi nas Salinas onde o Professor Doutor Fernando Mangas Catarino deu início a uma interessantíssima aula informal, semelhante a muitas outras que proferiu nesta serra aos seus alunos da Faculdade de Ciências.

A serra inicia-se próximo do Arrimal estendendo-se para sudoeste até a um paralelo a sul de Rio Maior, numa extensão de mais de 20km. Os Candeeiros podem ser considerados como integrando uma cordilheira que principia no topo meridional da Serra de Sintra, depois Montejunto, Candeeiros e Aire, Sicó, Lousã, Açor, Estrela e Malcata, limitando sempre a norte a bacia hidrográfica do Tejo. O conjunto da Serra de Aire e Candeeiros é composto por três maciços separados por depressões originadas por fracturas: Serra dos Candeeiros propriamente dita, Planalto de Santo António e Planalto de S. Mamede/ Serra de Aire, separados pelas depressões de Mendiga, de Alvados e de Minde. Este maciço de rochas resultou do enrugamento e da elevação da crosta terrestre por movimentos das placas tectónicas durante centenas de milhões de anos, elevando o leito do oceano tranformado pelo tempo em rocha calcária, formando-se assim enrugamentos, pregas, fendas e fracturas. A erosão do vento e das chuvas, os depósitos dos materiais desagregados nos vales cavados entre as pregas alteadas, a presença de uma vegetação rasteira consumida periodicamente pelos fogos estivais, a presença animal e a acção humana durante milhares de anos deram a forma actual à serra. A desagregação química da rocha calcária pelos materiais ácidos e a infiltração das águas das chuvas pelas fendas das rochas calcárias (acção cársica), à superfície e em profundidade, escavaram e moldaram na rocha uma extensíssima rede de galerias que durante as estações das chuvas se enchem de água e constituem as grutas. Esta vastíssima rede forma verdadeiras lagoas subterrâneas, constitui provavelmente o maior aquífero da península ibérica e é uma fonte imensa de recursos que deve ser conhecida, compreendida e respeitada.

Estas serras são ocupadas desde a mais remota antiguidade por populações humanas com culturas diversas que deixaram documentos da sua presença. Existem numerosos vestígios pré-históricos, nomeadamente em grutas que foram habitadas por populações em idades pré-históricas diferentes. Existem também vestígios de épocas muito posteriores de comunidades visigóticas, romanas, árabes e cristãs."


Fernando Catarino - uma lição a cada passo.

Das Salinas o grupo dirigiu-se para as Alcobertas e daqui para Casais Monizes. No trajecto houve várias paragens onde o Professor apontou exemplos da acção cársica nas rochas superficiais e da acção da erosão, mostrando exemplos da flora característica da serra, referindo-se às suas formas macroscópicas (árvores e arbustos) e às numerosíssimas espécies microscópicas, aos fungos, às algas e aos líquenes, mais abundantes nos locais húmidos e abrigados das fendas e dos algares. Entre as referências a dois motivos de interesse da serra, o Professor teve ocasião de ler e comentar um poema de Alberto Caeiro (um dos heterónimos de Fernando Pessoa), dando um tom de globalidade à sua lição. Mais adiante o grupo parou junto a uma área cultivada no planalto, regada pela água da chuva, onde numa baixa no cimo da serra, é possível cultivar cereais e produtos hortículas.

O grupo dirigiu-se ao Arrimal onde o Professor comentou a formação das lagoas e a modificação do seu aspecto ao longo das últimas centenas de anos. Referiu-se a que o Arrimal, no tempo da reconquista, seria uma espécie de éden, onde existiam lagoas de muito maior extensão que as actuais e uma flora composta por castanheiros, azinheiras e sobreiros de grande porte, dos quais ainda existem alguns exemplares certamente descendentes dos que então ocupavam uma muito mais extensa área florestal. Esta paisagem edílica terá sido o argumento de maior peso utilizado por D. Afonso Henriques para convencer os monges de Cister e fixarem-se nas terras do Oeste da Península, nesse tempo constituídas sobretudo por vastos terrenos pantanosos, alagadiços e insalubres (sobretudo pela presença de epidemias de origem hídrica e da malária).

O grupo almoçou no Restaurante Terra Chã, onde teve a presença de um simpático conjunto de músicos que integra o Rancho Folclórico de Chãos.

Depois, já na cidade de Rio Maior, Fernando Mangas Catarino proferiu uma interessante conferência sobre a flora serrana local a que deu o título de "Candeeiros que iluminam a Biodiversidade" e ao longo da qual descreveu as características de grande parte das plantas endémicas da Serra dos Candeeiros, para um auditório da Biblioteca Municipal muito bem composto.

"Rio Maior tem estado de costas voltadas para a sua serra e tem a obrigação de a «cultivar». A serra também somos nós, também é a nossa terra e por isso temos hoje connosco o Professor Fernando Catarino - um grande amigo da Serra dos Candeeiros", afirmou Alexandre Laureano Santos, médico cardiologista e presidente da Assembleia Geral do CER, na introdução à conferência.

Maria da Graça Alves Vieira, por sua vez, deu a conhecer alguns dos mais marcantes traços da personalidade do antigo director do jardim Botânico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


(Fotografias gentilmente cedidas pelo Jornal Região de Rio Maior)


In Região de Rio Maior, nº1129, de 28 de Maio de 2010

domingo, maio 02, 2010

CENTRO DE ESTUDOS RIOMAIORENSES ORGANIZA JORNADA NO ÂMBITO DO ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE


















O Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), associação para a defesa do património do concelho de Rio Maior, realizará, em colaboração com o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), no próximo dia 22 de Maio, uma Jornada no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade, com o seguinte programa:

10h00 - Passeio à Serra dos Candeeiros (inscrição limitada, mediante contacto com a Direcção do CER).
13h00 - Almoço na Cooperativa Terra Chã.
16h00 - Conferência pública, proferida pelo Professor Doutor Fernando Mangas Catarino, na Biblioteca Municipal de Rio Maior, sob o título "Candeeiros que iluminam a Biodiversidade".

O distinto orador é Licenciado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) (1958), Doutorado em Biologia (1969) e Professor Catedrático, Jubilado em 2002 após 50 anos de docência na FCUL. Autor de extensa bibliografia, o Professor Doutor Fernando Mangas Catarino exerceu, durante duas décadas, as funções de Director do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências.

O CER convida todos os riomaiorenses a marcarem presença neste evento.

In Região de Rio Maior nº1125, de 30 de Abril de 2010

sexta-feira, abril 09, 2010

Por terem utilizado a Mina do Espadanal como lixeira, CENTRO DE ESTUDOS RIOMAIORENSES INTERPELA CÂMARA MUNICIPAL



















Segundo relata o presidente da direcção do Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), João Pulquério Antunes de Castro, "em reunião ordinária realizada no passado dia 26 de Março, a direcção do CER tomou conhecimento, por comunicação de vários associados, da deposição de resíduos, provenientes da recolha efectuada no projecto Limpar Portugal, no espaço urbano envolvente à antiga Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal.

Após visita ao local, por dirigentes desta Associação de Defesa do Património, foi possível confirmar a gravidade da situação, que constituiu não apenas um atentado ambiental em pleno espaço urbano, como também uma negligência em face do processo de defesa do património mineiro amplamente suportado pela comunidade riomaiorense ao longo dos últimos anos.

Considerando tratar-se de um espaço urbano de elevada sensibilidde histórica - o que aliás é reconhecido pelo executivo camarário no seu programa eleitoral, no qual se propõe lançar um plano de restauro faseado do complexo mineiro, com instalação de núcleo museológico e criação de espaço verde público - e tendo simultaneamente em conta a proximidade de escassas dezenas de metros a um dos Centros Escolares da cidade, a direcção do CER oficiou à Câmara Municipal de Rio Maior solicitando a remoção urgente dos resíduos depositados, bem como a limpeza de todo o espaço envolvente da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal".

O Dr. João de Castro finaliza o seu relato reconhecendo que a presidente da Câmara Municipal, Isaura Morais, "assumiu a rápida resolução deste lamentável incidente, tendo os resíduos sido imediatamente removidos do local."

C.D.




















In Região de Rio Maior nº1122, de 9 de Abril de 2010

terça-feira, dezembro 08, 2009

MINAS DO ESPADANAL APRESENTADAS NO XXIX ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE HISTÓRIA ECONÓMICA E SOCIAL.


























No passado dia 14 de Novembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sob o enquadramento de um painel internacional dedicado às Memórias do Trabalho, composto por comunicações de investigadores de nacionalidade portuguesa, brasileira e francesa, a história e o património do período mineiro riomaiorense foram apresentados ao XXIX Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social (APHES), subordinado ao tema: "Memória Social, Património e Identidades".

A comunicação, da autoria do arquitecto Nuno Alexandre Rocha, vice-presidente do Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), com o título "Minas do Espadanal (Rio Maior) Memória, Património, Identidade", sintetizou o mais recente volume de conhecimento produzido na análise de documentação inédita, em desenvolvimento no âmbito de tese de mestrado inscrita no Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e expôs os conceitos de intervenção patrimonial que vêem informando o processo de estudo e salvaguarda do património mineiro riomaiorense, suscitando interessante debate.

Este processo, amplamente divulgado nas páginas do jornal Região de Rio Maior desde 2006, e que permitiu assegurar, num difícil e prolongado diálogo com a Câmara Municipal de Rio Maior, a preservação da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal, aponta soluções de futuro para a recuperação e reutilização faseada daquele conjunto edificado, nomeadamente, num primeiro momento, a instalação definitiva do núcleo museológico mineiro apresentado aos riomaiorenses, na sede do CER, no passado mês de Julho.

In Região de Rio Maior nº1103, de 27 de Novembro de 2009

domingo, julho 19, 2009

MEMÓRIAS DA COMUNIDADE MINEIRA RIOMAIORENSE. Nos 40 anos do encerramento da Mina do Espadanal.













Jornada comemorativa dos 40 anos do encerramento das Minas do Espadanal.

O Centro de Estudos Riomaiorenses levou a efeito no passado sábado, 11 de Julho, uma jornada comemorativa da passagem de 40 anos sobre o encerramento das Minas do Espadanal a qual começou na sua sede, sita no nº21 da Rua D. Afonso Henriques, com uma singela sessão que serviu para situar a efeméride e a constituição da Comissão de Antigos Funcionários da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica (EICEL), matéria de que se encarregou Nuno Rocha, vice-presidente do CER. No mesmo local está patente uma interessante exposição de fotografias da época de exploração das minas de lignite de Rio Maior - "algumas delas inéditas", sendo a mostra "um contributo para o enriquecimento da memória colectiva da população do concelho de Rio Maior", referiu o presidente do CER, João de Castro. A exposição, denominada "Memórias da Comunidade Mineira Riomaiorense" inclui alguns artefactos utilizados pelos mineiros.

Convidado de honra, Silvino Sequeira garantiria que enquanto ele for presidente da Câmara Municipal de Rio Maior o que resta das instalações da Mina do Espadanal "é intocável", tendo recordado que ainda há poucos anos a autarquia, como representante dos riomaiorenses havia assegurado a passagem das mesmas para a sua posse e que posteriormente prestou homenagem aos mineiros com uma estátua evocativa, na Avenida Mário Soares. Silvino acredita que lá para os anos vinte Rio maior voltará a ter caminho-de-ferro, agora uma moderna linha a ligar Caldas da Rainha a Rio Maior e Santarém.

De seguida dirigiram-se todos, a maioria a pé, para as antigas instalações das minas, para uma fotografia de grupo, incluindo o presidente da Câmara, que acabara de se inscrever como sócio do Centro de Estudos Riomaiorenses.

Depois, no restaurante "O Retiro do Cândido" decorreu um animado convívio entre os corpos sociais do CER e os antigos funcionários da EICEL como seus convidados. Albino Vivo, de Arrouquelas, que se associou graciosamente ao evento tocou acordeão e António Feliciano e Rui Andrade, da direcção do CER cantaram, acompanhados por muitos outros, "O Fado do Mineiro", melodia interpretada em 1945 por Alves Coelho, Filho, no âmbito da opereta "E o sonho foi realidade...", levada a cena em Rio Maior, trecho alusivo a essa importante comunidade que aqui se radicou.
De registar que nesse local existiu a taberna do Luís Romão, um dos muitos sítios onde os mineiros se juntavam pra confraternizar após regresso do trabalho. Este excelente convívio terminou com uma intervenção do presidente da Assembleia Geral do CER, Professor Doutor Laureano Santos.













Entretanto, tivemos ocasião de conversar com alguns antigos mineiros que nos manifestaram a sua comovida satisfação por verem as memórias da mina serem avivadas, para que toda a comunidade as interiorize como parte integrante da sua história: "É um dia inesquecível! A mina foi uma grande obra que se fundou em Rio Maior, trabalhei lá vários anos e tenho saudades desse tempo que acabou, por isso estou deveras emocionado", disse-nos Albino Aguiar.
Para o ex-mineiro António Severino Pereira "é bom reconhecerem que vale a pena preservar a memória das Minas do Espadanal. Gostei imenso desta cerimónia e da exposição", afirmou; e apontando para uma das fotos: "Eu trabalhei com aquela máquina!"
João Severino Inácio, mineiro logo aos 13 anos de idade, em 1946, também se declarou muito satisfeito "porque isto faz parte da história de Rio Maior e não há dúvida nenhuma que é muito interessante a iniciativa que estes senhores tiveram".
Júlio Martins Filipe foi outro dos antigos mineiros presentes. Começou a trabalhar a 3 de Junho de 1957, aos 18 anos: "Umas vezes andava cá fora, outra ía lá para baixo, conforme onde o trabalho apertasse mais", conta. "Aquilo eram trabalhos duros, tanto cá fora como lá dentro: empurrar as vagonetas, carregar o comboio, carregar aquele pó à pá... andávamos ali metidos numa nuvem!". Quanto à intocabilidade do património mineiro, embargou-se a voz ao Sr. Júlio e já não conseguiu dizer mais nada.
















MEMÓRIAS DA COMUNIDADE MINEIRA RIOMAIORENSE - Nuno Rocha situa constituição da Comissão de Antigos Funcionários da EICEL

Homenageamos hoje os homens e a sua capacidade de, pelo trabalho, reinventarem o futuro da comunidade na qual se inserem.
Durante 53 anos, entre 1916 e 1969 a história do período mineiro e da introdução na vila de Rio Maior dos paradigmas da sociedade industrial foi erguida por homens com a tenacidade de António Custódio dos Santos (descobridos legal da Mina do Espadanal), a capacidade de decisão de Ferreira Dias (Subsecretário de estado da Indústria que determina a construção da via-férrea Rio Maior - Vale de Santarém) ou a competência e valor humano do Engº Luís Falcão Mena (director-técnico da EICEL), mas elevou-se também, e sobretudo, do esforço anónimo de centenas de operários, na sua maioria trabalhando e vivendo em condições de extrema dificuldade.

Com efeito, em plena Segunda Guerra Mundial, o Couto Mineiro do Espadanal foi chamado pelo Estado Novo a cumprir uma função de reserva estratégica de combustível para a alimentação da indústria nacional e principalmente com o objectivo de assegurar a produção ininterrupta de electricidade na região de Lisboa.
O investimento do governo na lavra intensiva das lignites de Rio Maior resultou entre 1942 e 1945 num afluxo de cerca de 1.500 pessoas, entre operários admitidos à exploração mineira e respectivas famílias, a uma freguesia de Rio Maior que em 1940 contava com uma população de apenas 6.760 habitantes, provocando no imediato a ruptura da capacidade local de alojamento e assistência social.

Esta população emergente, que se fixa no pós-guerra com a construção da Fábrica de Briquetes, imprimiu o ritmo de um novo tempo à vila de Rio Maior.
A empresa concessionária e as entidades locais desenvolverão ao longo das décadas de 40, 50 e 60 um conjunto de medidas de integração e melhoramento das condições de vida da comunidade mineira, procurando resolver o problema da habitação com a edificação de novas áreas residenciais e dinamizando a actividade social, cultural e desportiva com a criação de estruturas associativas que terão um papel central na promoção de um período de intensa participação cívica dos riomaiorenses.

No plano cultural, o Grupo Cénico Zé P'reira, fundado em 1941, não será indiferente a esta nova realidade social, levando ao palco peças de inspiração mineira, das quais se destaca a opereta" E o sonho foi realidade..." apresentada em 1945 como uma apologia da vida dos mineiros.
Também a música terá o seu espaço no seio da comunidade mineira com o Grupo Coral e Orquestra folclórica do Círculo Cultural de Rio Maior, fundado em 1956, e que tem como primeiro regente o Maestro António Gavino, funcionário da EICEL.

No capítulo desportivo reside talvez uma das maiores glórias da vida associativa mineira, com a fundação em 1945 do Clube de Futebol "Os Mineiros" - colectividade determinante na promoção da prática desportiva local, que representa o concelho nos campeonatos regionais e nacionais, desenvolvendo em simultâneo uma intensa actividade cultural na sua sede. Na década de 70, após o encerramento da extracção mineira, o clube mudará de designação, dando origem ao actual União Desportiva de Rio Maior.

No plano social, a EICEL promove, através da acção meritória do seu director-técnico Engº Luís de Abreu Falcão Mena, a criação de um Centro de Assistência Infantil, em 1947, de uma Cooperativa de Pessoal da empresa, em 1948, (com a sua cantina aberta na Rua 5 de Outubro), de uma Escola para formação de operários, em 1956, (em adesão à Campanha nacional de Educação de adultos), e desenvolve a assistência na saúde em posto médico próprio, renovdo em 1962.

Este intenso movimento social é interrompido a 6 de Julho de 1969, com a suspensão da actividade das minas de lignite, tendo como objectivo a reconversão da lavra para alimentação de central termoeléctrica, que augurava um período de duas décadas de crescimento económico da vila de Rio Maior, cuja construção não se concretizará.

Um importante espólio documental e todo o equipamento móvel da exploração mineira, que presentemente procuramos recuperar, acabariam por se dispersar nas quatro décadas seguintes.
A recuperação da memória do período mineiro tem no trabalho académico de Ivan Costa, publicado no jornal Região de Rio Maior no final dos anos 90, um importante contributo.
O Processo de Estudo e Salvaguarda do Património Mineiro, com início em 2005, estabelece-se como tentativa de inverter o curso de décadas de alienação da memória e destruição de património, constituindo o ponto de partida de uma proposta cultural abrangente, materializada posteriormente na constituição do Centro de Estudos Riomaiorenses.
Sintetizando diferentes iniciativas desenvolvidas ao longo de 3 anos foi possível obter, em 2008, com a realizaão da I jornada do Património Mineiro, em co-organização com a Associação portuguesa para o Património Industrial, o reconhecimento geral da importância do legado da actividade mineira no nosso concelho e das suas potencialidades na qualificação da vivência urbana da cidade de Rio Maior.
Em face do risco de perda das derradeiras evidências deste período histórico decisivo apresentámos à Câmara municipal, em Outubro de 2008, uma proposta de classificação do Complexo Mineiro do Espadanal enquanto Património de Interesse Municipal, que se encontra em apreciação.

Não pretendemos, contudo, enunciar apenas a existência de um problema, de cuja resolução se fará, ou não, uma aposta decisiva na Identidade Local. É nosso objectivo contribuir para a definição de soluções, tendo presente que um projecto desta envergadura se cumprirá, necessariamente, em pequenos passos, seguros.
Assim, e no âmbito de extensa recolha documental em curso, disponibilizamos a partir de hoje, ao concelho de Rio Maior, e em permanência, o núcleo inicial de um futuro pólo museológico dedicado ao património mineiro. erguido com os parcos recursos de que dispomos, é o resultado da dedicação dos riomaiorenses à valorização de uma herança que nos é comum - a nossa memória colectiva.

Termino, relembrando a união dos riomaiorenses, em 1922, em defesa do projecto de exploração das lignites de Rio maior pela EICEL, em abaixo-assinado subscrito pela Câmara Municipal, todas as Juntas de Freguesia e mais de 200 cidadãos, enviado ao Ministério do Trabalho.
Quase nove décadas depois cabe aos riomaiorenses de hoje a produção de um novo compromisso colectivo que permita fazer perdurar o legado desses pioneiros sabendo, como eles, encontrar nas Minas do Espadanal um meio de valorização da nossa comunidade.

(Fotografias gentilmente cedidas pelo Jornal Região de Rio Maior).

In Região de Rio Maior nº1084, de 17 de Julho de 2009.

domingo, julho 05, 2009

MEMÓRIAS DA COMUNIDADE MINEIRA RIOMAIORENSE. JORNADA COMEMORATIVA DOS 40 ANOS DO ENCERRAMENTO DAS MINAS DO ESPADANAL.















O Centro de Estudos Riomaiorenses (CER), no âmbito do seu plano de actividades, organizará no próximo dia 11 de Julho (sábado) uma jornada dedicada à antiga comunidade mineira do concelho de Rio Maior, comemorando a efeméride da passagem de 40 anos sobre o encerramento das minas de lignite do Espadanal. Com efeito, no dia 6 de Julho de 1969 a actividade das minas foi suspensa com o objectivo de reconversão da lavra para alimentação de central termoeléctrica, cujos estudos, prolongados até ao final da década de 80, não se concretizaram.

A exploração das lignites no sítio do Espadanal registada em 1916 e concessionada à Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, Limitada (EICEL), desde 1920, constituiu a maior organização social do nosso concelho após o seu reconhecimento pelo Estado Novo como reserva energética nacional durante a Segunda Grande Guerra.

Em apenas três anos, de 1942 a 1945, a exploração intensiva destas minas resultou num aumento de 25% da população da freguesia de Rio Maior devido a um afluxo de cerca de 1500 pessoas, entre mineiros e familiares.
Esta população emergente que se fixou no pós-guerra com a viabilização da lavra mineira através da construção da Fábrica de Briquetes, introduziu uma profunda alteração no tecido social da nossa comunidade com repercussões até aos dias de hoje.

Passados 40 anos sobre a suspensão deste esforço industrial de gerações, entendeu o CER homenagear os antigos funcionários da EICEL reunindo-os numa Comissão, constituída no âmbito associativo, com o objectivo de fixar as suas memórias e promover o estudo e divulgação de um período decisivo da história de Rio Maior.

Contribuindo para a criação de um futuro núcleo museológico dedicado ao património mineiro local, inaugurar-se-á no âmbito do programa da jornada de 11 de Julho, uma exposição permanente de fotografias históricas de grande formato, com alguns exemplares inéditos, bem como de artefactos da actividade mineira, na sede do Centro de Estudos, sita na Rua D. Afonso Henriques, nº21, com abertura prevista para as 11h.

O CER convida a população de Rio Maior a estar presente nesta justa homenagem a uma comunidade que, com o seu trabalho, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento económico, social e cultural do nosso concelho.

In Região de Rio Maior nº1082, de 3 de Julho de 2009.

sábado, junho 06, 2009

C.E.R. APRESENTOU-SE.

CENTRO DE ESTUDOS RIOMAIORENSES APRESENTOU-SE.

REGIÃO QUE NÃO CUIDE DA RECUPERAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DO SEU PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL NÃO TEM GRANDE FUTURO.


















O Centro de Estudos Riomaiorenses (CER) realizou a sua sessão pública de apresentação no derradeiro sábado de Maio, dia 30. Foi no auditório dos Paços do Concelho cujo anfiteatro estava muito bem composto, apesar de ser fim-de-semana, o que pode muito bem atestar do interesse que esta associação para a Defesa do Património do Concelho de Rio Maior está a despertar.

O presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Silvino Sequeira, e a espaços a vereadora da Cultura Ana Cristina Silva, absorvida também nas iniciativas dessa tarde comemorativas do Dia da Criança, foram duas das ilustres presenças nesta sessão.

Também vimos, discreto entre a assistência, o jovem arquitecto que terá sido, porventura, quem despoletou as dinâmicas que levariam à constituição do Centro de Estudos Riomaiorenses: Nuno Rocha, vice-presidente da direcção.

Já na mesa de honra tomaram assento os presidentes eleitos dos primeiros órgãos sociais do CER: o Dr. João de Castro, da direcção; o Professor Doutor Alexandre Laureano Santos, da assembleia-geral e o Coronel Luís Faria Ribeiro, do conselho fiscal. Tinham a seu lado essa figura incontornável da historiografia portuguesa que é o Professor Doutor Veríssimo Serrão, orador convidado que ali havia de proferir a conferência "Rio Maior na História de Portugal" - e se Rio Maior tem História! Até "capital" do reino foi durante um mês e quatro dias, depreendemos nós da convicção de que por certo, em trinta e quatro ou trinta e cinco dias hão-se ter vindo aqui a despacho "secretários" de sua magestade, se é que não os trouxe logo consigo... e depois, nesses tempos de antanho havia o rei e os demais eram apenas súbditos: ele era de facto a "cabeça"... a capital. E se o rei cá esteve tanto tempo é porque havia um Paço! Adiante veremos isso.

Comecemos por deixar a apresentação do porquê do CER ao seu primeiro presidente, João de Castro, em discurso directo:

"É com grande honra e emoção que apresento, publicamente, porque para isso fui indigitado, o Centro de Estudos Riomaiorenses. Associação para a Defesa do Património. Tendo como matriz a Comissão para a Defesa do Património Cultural do Concelho de Rio Maior, formada com o objectivo de salvaguarda do património mineiro riomaiorense, o Centro de Estudos, associação sem fins lucrativos constituída no dia 29 de Outubro de 2008, rege-se pelos Estatutos, pelo Regulamento Interno, pelas deliberações da Assembleia-Geral, bem como pelas disposições aplicáveis do Código Civil e Legislação Complementar. O Centro de Estudos, constituído enquanto entidade congregadora de todos os riomaiorenses tem, como finalidade a valorização da cultura regional nas suas diferentes expressões materiais e intangíveis, em cooperação com os organismos autárquicos locais e com instituições nacionais e internacionais. Pretendemos a promoção de um compromisso geracional para a legação ao futuro das evidências de uma secular evolução histórica da comunidade riomaiorense. É nossa intenção e, decerto de todos os sócios, contrariar a existência efémera das instituições culturais riomaiorenses, erguendo com o contributo da comunidade local um pólo persistente de irradiação de Conhecimento. Temos como objectivo trabalhar em conjunto com todas as instituições autárquicas locais, Escolas, Movimento Associativo Concelhio, Ranchos Folclóricos, Bandas Filarmónicas e todas as organizações representativas de sectores da comunidade riomaiorense. Não deixaremos de aprofundar conhecimentos e procurar transmiti-los aos vindouros relativamente aos usos e costumes da região sendo imprescindível o contacto com as populações com as quais muito temos a aprender, tanto na zona norte serrana e montanhosa como na sul de planície a fazer lembrar os extensos campos ribatejanos. Não desejamos elitismos, porque o que não deve nem pode ser monopólio de uma elite, é a cultura; essa tem de reivindicar-se para a colectividade inteira. Houve quem dissesse um dia que as gerações dos homens são como as das folhas, passam umas e vêm outras. Está na nossa mão o desmentir o significado pessimista desta frase. Só figuram de folhas caídas, para uma geração, aquelas gerações anteriores cujo ideal de vida se concentrou egoisticamente em si e que não cuidaram de construir para o futuro pela resolução em bases largas, dos problemas que lhes estavam postos, numa elevada compreensão do seu significado humano. Uma região que não cuide da recuperação e da manutenção do seu Património histórico e cultural, é uma região sem grande futuro. Não nos esqueceremos do adágio popular, cada terra com o seu uso, cada roca com o seu fuso e, por certo, não deixará de despertar a curiosidade, no seu estudo, dos sócios e dos riomaiorenses em geral, as tradições populares no sentido expresso pelo saudoso professor José Leite de Vasconcelos. Como ele bem dizia, o folclore é um objecto de curiosidade para o povo, porque contém a sua obra. O Ribatejo tem grandes tradições culturais. Não esqueçamos que D. João V, foi buscar a Pernes alguns dos fundadores da Academia Real de História fundada em 1720 que foram os Padres António dos Reis e Luís Cardoso, naturais daquela vila. O exemplo de Lisboa não deixou de logo frutificar em Santarém. Nesta então vila floresceram algumas destas instituições – academias de Santarém – que tiveram títulos bem curiosos, como foram as dos «Singulares», e dos «Apolíneos», dos «Aventureiros», dos «Laureados» e da Academia Scalabitana. Encaradas no seu conjunto estas Academias desvendam aspectos fundamentais da cultura portuguesa do tempo. A existência destes centros de estudo e convívio permite defender que as correntes do pensamento nacional se fizeram sentir em muitas cidades e vilas, não sendo a irradiação do espírito apenas privilégio das pessoas cultas que viviam na órbita da capital. A mais valiosa no que respeita a estudos históricos, como V.ª Ex.ª Senhor Professor Veríssimo Serrão, assegura, foi a dos Aventureiros Scalabitanos, na qual foi primeiro presidente o Padre Luís Montês Matoso. Parafraseando Virgílio Arruda foi aquela Academia fundada por estudantes que ali se achavam de férias e nesse convívio queriam manifestar a sua aplicação às letras. Parece ter herdado parte do prestígio cultural da Academia Real da História, que então vivia horas decadentes. No ano seguinte, em 1746, teve aquela Academia por nome Scalabitana cujo labor revela uma produção de grande interesse cultural. Era este o largo movimento cultural em Santarém no século XVIII. Longe de atingir este desígnio porque apenas o fiz como relato histórico, Rio Maior e o seu concelho tem presentemente, ao contrário de há três dezenas de anos, uma população escolar considerável. Existe uma significativa presença de riomaiorenses a frequentar os diversos graus de ensino superior em universidades portuguesas e estrangeiras e uma notória massa crítica que poderá e deverá ser aproveitada para pensar em conjunto, democraticamente, no progresso de Rio Maior, pelo seu alindamento crescente e para uma melhor qualidade de vida com o aproveitamento invejável do seu posicionamento regional. Há que unir esforços e imprimir acção. A história e a cultura não podem ser esquecidas. Viva Rio Maior!"

Divulgados os objectivos gerais do CER, Alexandre Laureano Santos passou a apresentar o conferencista de "Rio Maior na História de Portugal", o emérito académico Professor Doutor Veríssimo Serrão, ribatejano, natural de Santarém, doutorado por diversas universidades por esse mundo fora e autor de mais de 400 obras. Uma subida honra, tanto mais que a conferência era "a actividade pública inaugural do nosso Centro de Estudos Riomaiorenses", sublinhou o eminente cardiologista e presidente da assembleia geral do CER, lembrando em largas pinceladas o extenso curriculum do orador.

RIO MAIOR NA HISTÓRIA DE PORTUGAL

Limitar-nos-emos, aqui, a sintetizar os factos mais significativos invocados por Veríssimo Serrão, sobre Rio Maior na História de Portugal.

- Rio Maior a partir do Século XVIII (anos 1700) passa a ser um ponto importante das ligações entre o Norte e o Sul.

- Quando Rio Maior chegou a sede de concelho em 1836 já há muito que o merecia. Influenciavam a sua vida o Mosteiro de Alcobaça que aqui buscava minérios; a Ordem de Aviz que se prolongava até às Alcobertas e tinha o castelo de Alcanede e a Ordem de Cristo que possuía muitos bens nestas terras.

-Além de Rio Maior existiam a Azambujeira, pequenas povoações com S. João da Ribeira ou Ribeira de S. João e mais acima Turquel.

- Em 1167 há salinas em Rio Maior.

- No século XIII Rio Maior era uma terra apetecida pelas suas riquezas naturais. Em 7 de Abril de 1250 o Mosteiro de Alcobaça faz uma doação a D. Estêvão Joanes, chanceler de Afonso III, de casas, vinhas, herdades, fornos e moinhos em Rivolo Major (Rio Maior), termos de Santarém.

- Em 1342 existia em Rio Maior a Igreja de S. João. Nesse ano, por indicação do bispo de Lisboa, Vasco Moniz, bispo de Lamego, veio a Rio Maior baptizar as crianças que estavam por baptizar.

- Em 1362, D. Pedro I manda entregar a sua terra de Rio Maior, no almoxarifado de santarém, a um Estêvão Lobo, seu vassalo.

- 1379 - D. Fernando I faz mercê a Gonçalo Vasques, pelos serviços prestados pelos pais à Coroa, de reguengos, casas, vinhas, moinhos, etc. e cobrança de coimas.

- O Conde Andeiro, morto em 1383 pelo Mestre de Aviz, em Lisboa, esteve para ser assassinado em Rio Maior em 1382 pelo uirmão da rainha D. Leonor Teles, era ainda o rei D. Fernando I, vivo. E o conde saíra desarmado, levando apenas uma tocha na mão, do Paço... em Rio Maior.

- Havia um Paço em Rio Maior. A corte esteve em Rio Maior entre 4 de Novembro e 8 de Dezembro de 1382; há documentos régios assinados aqui - eram os Paços de Rui Garcia do Casal.

Mas há mais.

" A história de Rio Maior é muito antiga, o que é preciso é fazê-la. Os jovens, uns que estudem a pré-história, outros os primeiros reinados... Façam uma revista anual com os artigos sobre a história e o papel de Rio Maior. Podem contar comigo. Têm a minha biblioteca em Santarém, vão lá ter, trabalham comigo, vou-lhes dando uns temas que vale a pena aprofundar, para lançarem o Centro de Estudos Riomaiorenses", sugeriu o Professor Doutor Veríssimo Serrão.

Carlos Manuel in Região de Rio Maior nº1078, de 5 de Junho de 2009.