Património Mineiro na Agência Lusa
Rio Maior: PCP vai questionar Ministério da Cultura sobre complexo mineiro do Espadanal
11 de Junho de 2007, 20:20
Rio Maior, 11 Jun (Lusa) - O deputado do PCP Miguel Tiago disse hoje que pretende "questionar o Ministério da Cultura" sobre o futuro do complexo mineiro do Espadanal, em Rio Maior, após uma visita ao local.
Segundo o deputado, este complexo, que inclui a antiga fábrica de briquetes da mina de lignite do Espadanal, "com o valor patrimonial que tem", com parecer do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) definindo-o como património de interesse municipal, está a sofrer "um entrave da autarquia, que cede à especulação imobiliária".
"Só o interesse da especulação imobiliária justifica o abandono. Há interesses numa área com estas características", explicou o deputado.
"Potenciar este espaço não invalida que o espaço envolvente seja aproveitado para área habitacional ou comercial", disse.
O deputado comunista tentou reunir com um representante do município que detém os 11 hectares onde está situado o complexo mineiro, inactivo desde 1970, mas "da parte da Câmara Municipal houve uma recusa em reunir connosco e nos acompanhar ao local", afirmou Miguel Tiago, acrescentando que "foi pedido um novo agendamento".
O presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Silvino Sequeira, justificou a ausência com o empenho e participação no colóquio, na Assembleia da República, sobre o novo aeroporto de Lisboa e disse que, para o complexo mineiro, está prevista uma intervenção "em colaboração com o IPPAR".
O autarca disse à Lusa que esta recuperação prevê um gasto de "cerca de dois milhões de euros" e que não poderá ser custeada apenas pelo município, que "não tem capacidade financeira".
Durante a tarde, Miguel Tiago reuniu com alguns membros da Comissão para o Estudo, Defesa e Valorização do Património Cultural e Natural do Concelho de Rio Maior, que elaborou o pedido de reconhecimento de interesse municipal ao IPPAR, em Setembro de 2006 (1), que consideram este orçamento: "um valor empírico".
Segundo Nuno Rocha, a comissão "propõe a realização de um estudo exaustivo acompanhado pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) que avalie as necessidades para a recuperação".
A comissão sugere a criação de "um pólo museológico da actividade mineira com um centro interpretativo da riquíssima e largamente estudada geologia do concelho ou um centro tecnológico dedicado ao estudo da geologia".
O complexo mineiro do Espadanal está inventariado pela Ordem dos Arquitectos, no Inquérito à Arquitectura em Portugal no Século XX, e pela DGEMN.
JPS.Lusa/Fim.
Nota (CPDP):
(1) A "Proposta de Classificação da Fábrica de Briquetes e Plano Inclinado de Acesso às Galerias da Mina de Lignite do Espadanal" elaborada por membro fundador da CPDP com base em parecer do IPPAR emitido a 5 de Julho de 2006, e subscrita pela Junta de Freguesia de Rio Maior, foi apresentada à Câmara Municipal de Rio Maior em Setembro do mesmo ano, não se obtendo resposta.
Etiquetas: Património Mineiro, Património Século XX



